Alerta de saúde: Covid-19 permanece como o vírus mais letal no início de 2026 no Brasil
O início deste ano trouxe um lembrete severo de que a pandemia deixou rastros permanentes na saúde pública brasileira. Segundo dados do informativo Vigilância das Síndromes Gripais, a Covid-19 foi a principal causa de morte entre os vírus respiratórios identificados no mês de janeiro, vitimando pelo menos 29 pessoas. O número, embora expressivo, é considerado preliminar e pode sofrer reajustes conforme as investigações de óbitos em aberto sejam concluídas.
No panorama geral das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), o Sars-CoV-2 lidera a letalidade, superando outros agentes como a Influenza A H3N2 (sete mortes), o Rinovírus (sete mortes) e variações da Influenza A não subtipada (seis mortes). Outros vírus, incluindo H1N1 e VSR, completaram o quadro estatístico com cinco óbitos adicionais.
Idosos são as principais vítimas e São Paulo lidera óbitos
O perfil das vítimas fatais reforça a vulnerabilidade de faixas etárias avançadas. Das mortes registradas por causas respiratórias graves em janeiro, a grande maioria — 108 no total — ocorreu em indivíduos com mais de 65 anos. Especificamente nos casos confirmados de Covid-19, 19 das 29 vítimas pertenciam a esse grupo de idosos.
Geograficamente, o estado de São Paulo concentrou o maior volume de fatalidades confirmadas pela doença, registrando 15 mortes em um universo de 140 casos notificados. Ao todo, o país contabilizou 4.587 registros de síndromes respiratórias no período, evidenciando que, apesar do controle da fase aguda da pandemia, a circulação viral permanece ativa e perigosa para grupos de risco.
O desafio da imunização e o desperdício de doses
O cenário de letalidade é agravado por uma adesão vacinal que as autoridades classificam como preocupante. Em 2025, o Brasil enfrentou um desafio logístico e de conscientização: das 21,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 distribuídas pelo Ministério da Saúde, apenas 8 milhões foram efetivamente aplicadas. Na prática, menos de quatro em cada dez doses disponíveis chegaram ao braço da população.
Desde 2024, o imunizante faz parte do calendário básico de vacinação para crianças, gestantes e idosos. Entretanto, a resistência ou a negligência em completar o esquema vacinal tem gerado impactos diretos na pressão sobre o sistema de saúde. Dados da plataforma Infogripe, da Fiocruz, revelam que em 2025 mais de 10 mil pessoas adoeceram com gravidade devido ao coronavírus, resultando em cerca de 1,7 mil mortes ao longo do ano passado.
Investigação e subnotificação
Um ponto de atenção para os especialistas é o alto índice de casos sem causa definida. Das 163 mortes por SRAG nas primeiras quatro semanas de 2026, 117 ainda não tiveram o agente causador identificado. O mesmo ocorre com os casos não letais, onde 3.373 registros permanecem sem assinatura viral. Esse “apagão” de dados dificulta a formulação de políticas públicas mais precisas e reforça a necessidade de testagem em massa e atualização constante dos registros de saúde. Com informações da Agência Brasil

