Brasil enfrenta alta no desaparecimento de pessoas com média de 232 registros diários em 2025

O Brasil encerrou o ano de 2025 com estatísticas preocupantes sobre a segurança pública e o paradeiro de seus cidadãos. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o país contabilizou 84.760 casos de desaparecimento ao longo do último ano. O montante revela uma média diária de 232 ocorrências, representando um crescimento de 4,1% na comparação com 2024, quando foram notificados 81.406 episódios.

Desafios na implementação da política nacional
Mesmo com a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas em vigor desde 2019, o problema segue em escalada. A legislação, que visa integrar órgãos de saúde, assistência social e segurança para agilizar buscas, ainda enfrenta obstáculos práticos. Especialistas como Simone Rodrigues, do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes/UnB), apontam que o sistema “ainda engatinha”.

Um dos pontos críticos é o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado apenas em 2025, que conta com a adesão de apenas 12 das 27 unidades da federação. Essa fragmentação dificulta o cruzamento de dados biométricos entre estados, atrasando a identificação de corpos e a localização de sobreviventes.

Localizações em alta e o peso da subnotificação
Apesar do aumento nos desaparecimentos, o número de pessoas encontradas também cresceu. Em 2025, 56.688 indivíduos foram localizados, uma alta de 51% em relação ao início desta década. Esse avanço é atribuído a um esforço recente de interoperabilidade de dados entre instituições municipais, estaduais e federais.

Contudo, os números oficiais podem ser apenas a ponta do iceberg. A subnotificação é uma realidade em contextos de atuação de milícias, tráfico de pessoas, feminicídio e violência contra populações vulneráveis, como indígenas e pessoas em situação de rua. O recente caso da corretora Daiane Alves de Souza, em Goiás — cujo desaparecimento revelou-se um assassinato com ocultação de cadáver —, ilustra como o sumiço muitas vezes mascara crimes graves não esclarecidos.

Alerta vermelho para o público infantojuvenil
A vulnerabilidade de menores de idade é um dos recortes mais dramáticos do relatório. Quase um terço (28%) dos desaparecidos em 2025 eram crianças ou adolescentes. O crescimento de casos neste grupo foi de 8%, o dobro da média geral. Um dado específico chama a atenção: enquanto os homens são maioria no total geral de desaparecidos (64%), entre o público jovem as meninas são as principais vítimas, representando 62% dos registros.

Muitos desses jovens fogem de situações de violência doméstica. Especialistas reforçam que o Estado tem a obrigação de iniciar as buscas imediatamente, combatendo o “preconceito institucional” de que é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar a ocorrência — um mito que ainda compromete a eficácia das investigações iniciais.

Perspectivas de aprimoramento
O Ministério da Justiça e Segurança Pública projeta integrar todos os estados ao Cadastro Nacional ainda no primeiro semestre de 2026. A pasta aposta na padronização das informações, em campanhas de coleta de DNA de familiares e na capacitação de policiais civis para transformar as estatísticas em ferramentas de solução real para as milhares de famílias que aguardam por respostas. Com informações da Agência Brasil

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