Mortes por armas de fogo saltam 44% no Rio após início de megaoperação
O cenário da segurança pública na Região Metropolitana do Rio de Janeiro sofreu uma deterioração drástica no último trimestre. Dados inéditos do Instituto Fogo Cruzado, obtidos a pedido da Agência Brasil, revelam que 329 pessoas foram mortas a tiros entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026. O balanço marca os três meses subsequentes ao lançamento de uma ofensiva policial de grandes proporções nos complexos da Penha e do Alemão, resultando em um aumento de 44,2% na letalidade por projéteis de fogo em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O impacto da Operação Contenção nos indicadores de letalidade
A mobilização, que envolveu 2,5 mil agentes para o cumprimento de mandados contra a cúpula do Comando Vermelho, desencadeou uma onda de confrontos que se espalhou por 22 municípios. Enquanto o período entre outubro de 2024 e janeiro de 2025 registrou 228 óbitos, o ciclo atual somou 101 mortes adicionais.
O perfil das vítimas evidencia a gravidade do conflito: o total inclui desde suspeitos e criminosos procurados até agentes de segurança e civis inocentes. O drama das “balas perdidas” também voltou a assombrar a população, com quatro mortes confirmadas e 23 feridos nessa circunstância — sendo que oito dessas pessoas foram atingidas especificamente durante intervenções do Estado.
Confrontos armados e o rastro das chacinas
A análise estatística do Instituto Fogo Cruzado aponta que a presença policial foi o principal vetor dos tiroteios no Grande Rio. Dos 520 episódios de trocas de tiros registrados no trimestre, 200 (quase 40%) ocorreram durante ações ou operações das forças de segurança. O dado mais alarmante reside na letalidade dessas incursões: elas foram responsáveis por 68,8% das mortes e mais da metade dos feridos a bala no período.
Além disso, a violência se manifestou de forma coletiva. Quase metade das mortes (47,7%) ocorreu em chacinas — eventos com três ou mais vítimas fatais. Das 12 chacinas registradas nos últimos 90 dias, oito tiveram participação direta de forças policiais. O levantamento destaca ainda que, desde o início da atual gestão estadual em agosto de 2020, o acumulado de mortos em matanças coletivas já chega a 890 pessoas.
Silêncio oficial e investigações sob sigilo
Apesar dos números expressivos, o balanço real da eficácia da operação permanece incerto. Questionadas sobre a possível redução de territórios controlados pelo tráfico ou variações nos índices de roubos e apreensões de armas após a investida, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil não enviaram respostas até o fechamento desta edição.
Por outro lado, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do seu grupo especializado em segurança pública, confirmou que as ações nos complexos da Penha e do Alemão são alvo de investigações sigilosas. Depoimentos de familiares de vítimas, testemunhas e policiais envolvidos estão sendo colhidos para apurar possíveis abusos ou irregularidades durante a conduta operacional das tropas. Com informações da Agência Brasil
Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.


