Rio de Janeiro registra alta de morte em ações policiais
O cenário da segurança pública no estado do Rio de Janeiro em 2025 apresentou um balanço de forças opostas. Enquanto os índices de crimes contra o patrimônio mostraram uma retração consistente, a violência letal envolvendo agentes do Estado atingiu patamares alarmantes. Dados oficiais divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que as mortes por intervenção policial saltaram 13% no último ano, passando de 703 casos em 2024 para 797 vítimas em 2025.
O impacto da operação mais letal da história fluminense
O aumento da letalidade policial foi fortemente influenciado por episódios de violência extrema. O ano de 2025 ficou marcado pela operação nos complexos do Alemão e da Penha, ocorrida em outubro, que se tornou a incursão mais sangrenta da história da capital ao deixar 121 mortos. O confronto não poupou as forças de segurança: ao longo do ano, o estado perdeu 19 policiais (13 militares e 6 civis) em serviço, um número significativamente superior aos 12 óbitos registrados entre agentes no ano anterior.
No panorama geral dos crimes contra a vida, a chamada “letalidade violenta” — que soma homicídios dolosos, latrocínios, lesões seguidas de morte e mortes por intervenção — teve uma leve subida de 2%, totalizando 3.881 vítimas. Um ponto positivo, contudo, foi o recuo de 22% nos casos de latrocínio (roubo seguido de morte), que caíram de 99 para 77 ocorrências.
Recuo nos crimes patrimoniais e aumento de estupros
Se os números de violência física preocupam, as estatísticas de crimes contra o patrimônio trouxeram um alívio pontual para a população. O destaque foi a queda acentuada de 18,4% nos roubos de veículos. Os roubos de rua e de carga também apresentaram trajetórias descendentes, com reduções de 2,7% e 9,4%, respectivamente.
Por outro lado, a violência sexual registrou um aumento persistente. Foram contabilizados 5.867 estupros no estado, superando os 5.819 casos de 2024. O dado reforça a necessidade de políticas públicas específicas para o enfrentamento de crimes contra a dignidade sexual.
Apreensão recorde de fuzis e o desafio das armas de guerra
Um dado que chamou a atenção das autoridades foi o volume de armamento pesado retirado de circulação. Em 2025, as polícias Civil e Militar apreenderam 920 fuzis, um recorde histórico desde o início da contagem em 2007 e um aumento de 25,7% em relação ao ano anterior.
A diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, atribuiu a queda nos crimes patrimoniais ao foco em inteligência e análise de dados. Já o governador Cláudio Castro celebrou o resultado operacional, mas reiterou a urgência de uma fiscalização mais rígida nas fronteiras nacionais. “É impressionante que tantas armas de guerra sejam apreendidas em um estado que não produz fuzis”, afirmou Castro, cobrando maior colaboração federal no controle de entrada de armamentos. Com informações da Agência Brasil
Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.


