Retrocesso ambiental e o “gol contra” dos Estados Unidos com saída da Convenção do Clima

A decisão do governo de Donald Trump de retirar os Estados Unidos de dezenas de organismos multilaterais gerou uma onda de críticas e preocupações em escala mundial. Entre as 66 organizações abandonadas, o anúncio feito nesta semana destaca a saída da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e do Fundo Verde para o Clima (GCF), o que representa um rompimento direto com os principais mecanismos de governança e financiamento ambiental do planeta.

Impacto econômico e perda de liderança
O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, classificou a medida como um “gol contra colossal”. Segundo o dirigente, o afastamento não apenas enfraquece a cooperação internacional, mas fere os próprios interesses nacionais americanos. Stiell enfatizou que a ausência de liderança na transição energética e na ciência climática deve prejudicar a economia dos EUA, afetando empregos e o padrão de vida da população.

Enquanto o mundo caminha para fontes renováveis, que se tornam progressivamente mais baratas, o governo americano optou por priorizar os combustíveis fósseis. Para a UNFCCC, essa escolha resultará no encarecimento de itens básicos como energia, alimentos e transporte, além de elevar os custos de seguros devido ao agravamento de desastres naturais, como incêndios florestais, enchentes e secas severas que castigam a infraestrutura dos EUA.

O esvaziamento do financiamento e da ciência
A saída do Fundo Verde para o Clima (GCF) foi justificada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que classificou a entidade como uma “organização radical”. Segundo Bessent, as metas do fundo seriam incompatíveis com a prioridade do governo Trump de garantir energia considerada “acessível e confiável” para o crescimento econômico.

Além do braço financeiro, os EUA abandonam o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU responsável pelos relatórios científicos que norteiam as políticas globais contra o aquecimento global. Para o Instituto Talanoa, ONG brasileira que monitora o tema, o recuo americano é um choque político que abala a credibilidade do país, embora não decrete o fim da governança climática global, que agora depende da ascensão de novas lideranças internacionais para evitar um colapso no sistema de financiamento e ambição ambiental.

O futuro da cooperação multilateral
A retirada ocorre poucos meses após a COP30, realizada em Belém, onde a urgência climática foi o foco dos debates. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, observa que, embora o regime multilateral continue em funcionamento, a queda no financiamento internacional será sentida de forma imediata. A estabilidade regional e a gestão de crises migratórias impulsionadas por conflitos ligados à energia e desastres climáticos também entram em uma zona de incerteza com a nova postura de isolamento da maior economia do mundo. Com informações da Agência Brasil

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