Plano nacional aposta na recuperação da Caatinga para frear avanço da desertificação
Considerada um dos principais sumidouros de gás carbônico do país e essencial para a infiltração da água no solo e a recarga de aquíferos no semiárido, a Caatinga é hoje o bioma brasileiro mais vulnerável à desertificação. Para enfrentar esse cenário, o governo federal lançou, em Brasília, o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), que estabelece como meta a recuperação de 10 milhões de hectares de áreas degradadas da Caatinga.
Ações de longo prazo para todos os biomas
Apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o plano reúne 175 iniciativas voltadas ao enfrentamento da desertificação e à recuperação de terras degradadas em todos os biomas brasileiros até 2045. A proposta busca ir além da recomposição ambiental, integrando recuperação do solo, restauração da vegetação nativa, ampliação da disponibilidade de água, produção de alimentos saudáveis e geração de trabalho e renda.
Segundo o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Alexandre Pires, o objetivo é impulsionar um processo amplo de restauração socioprodutiva, fortalecendo serviços ecossistêmicos e promovendo desenvolvimento sustentável nas regiões mais afetadas.
Desertificação avança com mudanças climáticas
De acordo com a Organização das Nações Unidas, a degradação ambiental provocada pelo uso inadequado do solo, somada à intensificação das secas causada pelas mudanças climáticas, está entre os principais fatores da desertificação, caracterizada pela perda da capacidade produtiva da terra. Embora áreas áridas e semiáridas sejam as mais suscetíveis, a ONU alerta que até 75% da população mundial pode ser impactada nas próximas décadas.
No Brasil, estudo divulgado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aponta que a desertificação já ameaça cerca de 18% do território nacional. Nessas áreas, concentradas principalmente no Nordeste, vivem aproximadamente 39 milhões de pessoas.
Outros biomas também entram no radar
Além da Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica já enfrentam riscos significativos. O relatório apresentado com o lançamento do PAB-Brasil também identificou, pela primeira vez, áreas suscetíveis à desertificação no Pantanal, ampliando o alerta sobre a gravidade do problema ambiental no país.
Comunidades no centro da estratégia
Como parte da resposta, povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares foram incluídos no cadastro do pagamento por serviços ambientais (PSA). A política remunera ações de conservação e recuperação ambiental, estimulando práticas sustentáveis e fortalecendo a proteção dos territórios.
Para a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, o enfrentamento da desertificação depende do esforço coletivo e da participação direta das comunidades que vivem nos biomas afetados.
Medidas estruturantes previstas
Entre as iniciativas do PAB-Brasil estão a criação do Sistema de Alerta Precoce de Desertificação e Seca, o apoio financeiro à elaboração de planos estaduais, a implantação de novas unidades de conservação e a recuperação da vegetação nativa para garantir maior conectividade da paisagem. Com informações da Agência Brasil


