Brilho sem barulho: o desafio de celebrar o Réveillon sem os riscos dos fogos com estampido

As festividades de fim de ano trazem à tona um debate essencial sobre a saúde coletiva e o bem-estar animal: a soltura de fogos de artifício com ruído excessivo. Embora o espetáculo visual seja uma tradição, o impacto sonoro desses artefatos representa um perigo real para grupos vulneráveis. Famílias com crianças neurodivergentes, idosos e tutores de animais buscam, a cada virada de ano, alternativas para minimizar crises de ansiedade e acidentes graves provocados pelo desespero auditivo.

Impactos na saúde humana e estratégias de proteção
O barulho intenso dos fogos não gera apenas um incômodo momentâneo; ele é capaz de desencadear problemas metabólicos, cardiovasculares e distúrbios severos do sono. Para pessoas com autismo ou idosos com sensibilidade sensorial, o estampido pode causar desregulação emocional e crises de pânico. Especialistas recomendam o uso de fones com cancelamento de ruído e a criação de um ambiente de previsibilidade, preparando essas pessoas para o momento do barulho, a fim de reduzir o estresse térmico e psicológico.

O pânico dos pets e as recomendações de segurança
Com uma audição muito mais sensível que a humana, cães, gatos e aves interpretam as explosões como ameaças de morte. Em um estado de “luta ou fuga”, animais costumam se lançar de janelas ou fugir para as ruas, onde o risco de atropelamento é alto. Para amenizar o sofrimento, o Conselho Federal de Medicina Veterinária sugere que os tutores utilizem “roupas calmantes” ou faixas de compressão, mantenham os animais em locais fechados e silenciosos e, acima de tudo, permaneçam próximos para transmitir segurança durante as detonações.

O mosaico legislativo e o avanço jurídico no Brasil
O Brasil ainda não possui uma lei federal unificada, mas o cenário jurídico está mudando. Embora um decreto de 1942 já proibisse a queima perto de hospitais e escolas, diversos estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás já possuem normas que limitam o barulho a faixas entre 70 e 100 decibéis. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um passo histórico ao validar que os municípios têm autonomia para proibir artefatos ruidosos, fortalecendo legislações locais que priorizam a saúde pública sobre o barulho.

O futuro da pirotecnia no Congresso Nacional
No cenário legislativo federal, o Projeto de Lei 5/2022 propõe uma mudança definitiva ao proibir em todo o país a fabricação e o uso de fogos que ultrapassem os 70 decibéis. O texto já recebeu o aval do Senado e agora aguarda a análise da Câmara dos Deputados. Enquanto a lei nacional não chega, grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte já adaptam seus eventos oficiais para priorizar shows pirotécnicos silenciosos ou de baixo ruído, garantindo que a festa de alguns não se torne o pesadelo de muitos. Com informações da Agência Brasil

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