Para brasileiros clima importa, mas segurança lidera prioridades

Pesquisa com brasileiros revela alta preocupação ambiental e cobrança por propostas eleitorais, embora temas sociais dominem

Um levantamento recente realizado com 1.800 participantes em todo o território nacional aponta que 91% dos entrevistados consideram relevantes as mudanças climáticas e a preservação ecológica, defendendo que os postulantes às eleições de 2026 apresentem planos concretos para enfrentar a questão. No entanto, quando questionados sobre as prioridades que exigem atenção imediata, os cidadãos colocam o tema climático em posição secundária, destacando áreas como segurança pública, custo de vida, saúde e educação.

A consulta pública, executada pela empresa Ipsos por solicitação do Observatório do Clima, detalha que a segurança pública e a criminalidade encabeçam o panorama dos principais problemas, sendo apontadas por 49% da população. Na sequência, figuram a inflação e a alta no custo de vida (41%), os episódios de violência contra as mulheres e os feminicídios (36%), além da qualidade dos serviços de saúde pública (34%). As alterações climáticas e a crise ambiental aparecem isoladas na nona colocação, somando 19% das menções.

Percepção sobre a crise e demandas eleitorais
Apesar de ocuparem uma posição intermediária no ranking de urgência imediata, as questões ambientais ganham forte respaldo quando avaliadas isoladamente. Para 62% dos consultados, a exigência de que os candidatos às próximas eleições debatam e apresentem soluções para o clima é classificada como “muito importante”. O relatório revela ainda que 87% concordam que o planeta atravessa eventos extremos, como secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor, enquanto 85% afirmam que tais fenômenos já interferem diretamente no cotidiano das famílias brasileiras.

Além disso, 79% dos participantes sustentam que o tema precisa ser priorizado mesmo que isso gere custos econômicos, e 76% acreditam que os impactos mais severos ainda podem ser evitados caso sejam tomadas providências imediatas. No campo dos problemas ambientais específicos, 35% destacaram as mudanças climáticas como o maior desafio, seguidas pela gestão de resíduos e lixo (21%), pela qualidade do ar e poluição (15%), e pela escassez hídrica aliada às secas (14%).

Análise de especialistas e cenário político
Diante do cenário político e eleitoral, o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, criticou a postura dos postulantes aos cargos públicos. Segundo ele, a maioria dos presidenciáveis apresenta planos deficientes ou inexistentes sobre o assunto, havendo inclusive candidaturas alinhadas ao negacionismo, o que contrasta com o desejo popular por compromissos efetivos na agenda climática.

No tocante à responsabilidade institucional, 90% dos brasileiros avaliam como muito importante que o governo federal e as políticas públicas priorizem a proteção ambiental, ao passo que apenas 3% julgam o setor irrelevante. Questionados sobre as origens das transformações do clima, 58% apontam a ação humana como principal impulsionadora, 36% creditam a fatores combinados entre atividade antrópica e elementos naturais, e 5% atribuem o processo exclusivamente à natureza. O levantamento também indica que 67% responsabilizam mais as indústrias e empresas do que os próprios cidadãos pelo combate à crise.

Conhecimento sobre o metano e posicionamento regulatório
A pesquisa examinou o grau de informação da sociedade acerca do papel do gás metano no aquecimento global. Embora o composto seja consideravelmente mais potente que o dióxido de carbono, o entendimento sobre suas fontes é limitado: 64% associaram sua origem principal aos lixões, aterros sanitários e à queima de combustíveis fósseis, enquanto no contexto nacional a substância tem na pecuária sua maior fonte emissora. A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, enfatizou que o desafio reside em converter essa preocupação difusa em escolhas eleitorais capazes de barrar negacionistas no Executivo e no Legislativo.

Em relação ao marco regulatório, 43% dos consultados manifestam oposição ferrenha à flexibilização das normas ambientais, indicando que a percepção geral aponta que cerca de quatro em cada cinco pessoas defendem diretrizes firmes de cautela ecológica. Por fim, o relatório avaliou a atuação perante o problema: a sociedade em geral recebeu 78% de avaliações negativas e apenas 6% positivas; o setor privado registrou 75% de reprovação e 6% de aprovação; e o governo brasileiro obteve 71% de avaliações desfavoráveis frente a 9% favoráveis. Para os analistas, isso configura um déficit sistêmico, embora recaia sobre o governo federal o papel primordial de liderar a mudança. A coleta de dados ocorreu entre os dias 17 e 20 de agosto, abrangendo 1.800 cidadãos com 18 anos ou mais por meio de um questionário digital com 32 perguntas. Com informações da Agência Brasil.

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