“Taxa das blusinhas” ajuda a manter mais de 135 mil postos de trabalho no Brasil, diz CNI
A tributação sobre encomendas internacionais de baixo valor, apelidada popularmente de “taxa das blusinhas”, apresentou resultados significativos para a estabilidade do mercado interno. De acordo com um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a aplicação do imposto foi fundamental para preservar 135,8 mil empregos em território brasileiro. Além da manutenção das vagas de trabalho, a entidade estima que a medida permitiu a circulação de 19,7 bilhões de reais na economia do país, recursos que poderiam ter sido direcionados ao mercado externo.
A análise da CNI baseou-se no comportamento das importações durante o ano de 2025, comparando as projeções de compras com os dados efetivamente registrados. Os números revelam que a taxação evitou que cerca de 4,5 bilhões de reais fossem gastos em produtos estrangeiros, fortalecendo a produção e o comércio local.
Queda no volume de encomendas reflete maior equilíbrio competitivo
A introdução do imposto provocou uma redução direta no fluxo de pacotes vindos do exterior. Entre 2024 e 2025, o volume de remessas internacionais apresentou uma queda de 10,9%, passando de 179,1 milhões para 159,6 milhões de pedidos. Sem a existência da taxa, a indústria projeta que o total de encomendas poderia ter ultrapassado a marca de 205 milhões de pacotes no último ano.
Para o setor industrial, essa retração não significa um movimento contra a importação, mas sim uma busca por isonomia. Antes da regulamentação, produtos estrangeiros de baixo custo entravam no Brasil com vantagens tributárias excessivas, gerando uma competição desigual com os itens fabricados nacionalmente, que arcam com a carga tributária padrão. O superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, ressalta que o foco da medida é proteger a estrutura econômica brasileira e garantir que a concorrência ocorra em condições de igualdade.
Eficiência na arrecadação e combate a irregularidades fiscais
Implementada em agosto de 2024 por meio do programa Remessa Conforme, a regra estabelece uma alíquota de 20% para compras internacionais de até 50 dólares. O sistema permite que o tributo seja recolhido diretamente no ato da venda pelas plataformas digitais, o que otimiza a fiscalização e coíbe práticas ilegais anteriormente comuns, como o faturamento abaixo do valor real e a fragmentação de pedidos para burlar limites de isenção.
Os reflexos nos cofres públicos também foram expressivos. A arrecadação federal saltou de 1,4 bilhão de reais em 2024 para 3,5 bilhões de reais em 2025. Segundo a CNI, esse fortalecimento do caixa da União, somado à proteção da indústria nacional, consolida a importância estratégica da taxa para a geração de renda e o desenvolvimento econômico do Brasil a longo prazo. Com informações da Agência Brasil

