Inflação acelera com pressão de combustíveis e alimentos em abril
O bolso do consumidor brasileiro sentiu um peso maior neste mês de abril. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou uma alta de 0,89%, superando significativamente o índice de 0,44% observado no mês anterior. Este é o avanço mais expressivo desde fevereiro, quando o indicador marcou 1,23%.
De acordo com os dados apresentados pelo IBGE nesta terça-feira (28), o acumulado dos últimos 12 meses saltou para 4,37%, distanciando-se dos 3,9% registrados até março. Apesar da aceleração, o índice permanece dentro do teto da meta estabelecida pelo governo, que permite uma variação de até 4,5% no acumulado anual.
Gasolina e itens básicos lideram as altas no mês
O grupo de Transportes foi um dos principais vilões do orçamento, impulsionado pela disparada de 6,06% nos combustíveis. A gasolina, isoladamente, foi o item que mais contribuiu para inflar o índice, com uma alta de 6,23%. O óleo diesel não ficou atrás, registrando um salto de 16% no período.
Paralelamente, o setor de Alimentação e Bebidas teve alta de 1,46%. O destaque negativo ficou para a alimentação consumida em casa, afetada pelo período de entressafra e pela redução na produção de itens essenciais. Entre os produtos que mais encareceram, destacam-se:
Cenoura: 25,43%
Cebola: 16,54%
Leite longa vida: 16,33%
Tomate: 13,76%
Conflitos internacionais e reflexos na economia doméstica
O cenário geopolítico no Oriente Médio, especificamente os confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem atingido diretamente o mercado brasileiro. A instabilidade no Estreito de Ormuz — rota por onde circula um quinto do petróleo mundial — gerou bloqueios que reduziram a oferta global da commodity. Como o petróleo é negociado internacionalmente, a alta dos preços reflete nos postos brasileiros, independentemente da produção nacional.
Para mitigar esses impactos, o governo federal tem implementado subsídios e isenções tributárias. Embora economistas avaliem que essas medidas ainda apresentam efeitos tímidos diante da magnitude da crise externa, elas são consideradas passos importantes para evitar um descontrole maior nos preços internos.
A coleta de preços para este indicador ocorreu entre meados de março e abril, abrangendo famílias com renda de até R$ 1.621 (valor atual do salário mínimo). O resultado consolidado da inflação de abril deve ser apresentado pelo IBGE no dia 12 de maio. Com informações da Agência Brasil

