El Niño fará Brasil ter inverno com menos frio, prevê meteorologia

O inverno no Hemisfério Sul teve início oficialmente às 5h25 do dia 21 de junho. Embora a nova estação seja tradicionalmente associada às baixas temperaturas, o período apresentará características atípicas neste ano. Sob a influência direta do fenômeno El Niño, a população brasileira experimentará um frio menos intenso ao longo dos próximos três meses.

A projeção foi elaborada pela empresa de consultoria meteorológica Nottus, que desenvolveu um mapeamento detalhado sobre os reflexos dessa condição climática no território nacional.

O El Niño se configura a partir do aquecimento incomum das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico. Tecnicamente, basta que a temperatura da superfície marítima registre uma elevação de 0,5 grau Celsius (C°) acima da média histórica para que o fenômeno seja caracterizado. Inclusive, a Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa) confirmou formalmente o início do evento na última semana.

Alternância entre episódios de chuva e estiagem
Em solo brasileiro, a estação será marcada por uma forte concentração de frentes de chuva na Região Sul, superando os padrões climatológicos normais. Em contrapartida, as precipitações serão mais escassas e rápidas nas Regiões Norte e Nordeste, o que eleva a probabilidade de ocorrência de estiagens severas nessas localidades.

O meteorologista e sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, esclarece que a estação até pode começar com marcas mais baixas nos termômetros, contudo, a atuação do El Niño deve funcionar como um bloqueio para a permanência do frio rigoroso, de forma mais evidente a partir do mês de agosto.

Essa dinâmica ocorre porque o predomínio de dias secos associado aos ventos vindos do Norte impulsiona o aumento gradativo das temperaturas, predominantemente na metade final do inverno. Dessa forma, a sensação térmica geral será de uma estação mais branda.

O especialista ressalta que isso não descarta totalmente a presença do frio, mas indica que as massas de ar polar terão curta duração e passarão de maneira muito rápida. Além disso, porções da área central do país devem registrar veranicos, marcados por calor atípico e ausência de umidade em meio à estação.

Comportamento do clima nos meses de inverno e nas regiões
O estudo traçou o cronograma climático para os próximos meses nas diferentes áreas do país:
Julho: Será caracterizado por acumulados de chuva acima da média histórica nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a instabilidade climática começará a se intensificar a partir das zonas interioranas.

Agosto: As chuvas devem se concentrar no extremo norte do Brasil, na faixa leste nordestina e em toda a Região Sul, onde os volumes tendem a romper as médias habituais. Paralelamente, o tempo seco e de baixa umidade vai se firmar progressivamente em Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste. O meteorologista aponta que, deste mês em diante, ondas de calor podem atingir o interior do país.

Setembro: O fluxo de chuva ganha ainda mais intensidade na Região Sul, superando os índices climatológicos, enquanto as faixas norte e leste do Nordeste enfrentarão índices pluviométricos abaixo do normal.

Apesar da estimativa de alta pluviosidade no Sul, a consultoria descarta, no momento, o risco de tempestades extremas semelhantes às que causaram grandes destruições no estado do Rio Grande do Sul nos meses de abril e maio de 2024.

A ameaça do Super El Niño e os reflexos no setor elétrico
Com suporte nos dados emitidos pela Noaa, o especialista adverte que, entre setembro e fevereiro de 2027, há uma probabilidade elevada de o fenômeno evoluir para a categoria de “Super El Niño”, estágio em que o aquecimento do oceano ultrapassa a marca de 2,5 C°. Temendo as consequências dessa intensidade, a administração federal estruturou uma Sala de Situação Interministerial com o propósito de articular planos de contingência e mitigar desastres.

A expectativa é que as condições do El Niño permaneçam ativas até, pelo menos, a metade de 2027. Essa persistência projeta impactos variáveis no segmento de energia elétrica do Brasil, cuja matriz depende fortemente das usinas hidrelétricas e do nível de armazenamento dos reservatórios, abastecidos pelas chuvas.

Para o ano de 2026, Nascimento avalia que o fenômeno trará reflexos positivos para o sistema energético, impulsionado pela chegada de frentes de chuva no Sul e em setores do Sudeste. No entanto, o cenário se mostra preocupante para o ano de 2027, quando uma forte pressão no consumo deve ocorrer no primeiro trimestre em decorrência de fortes ondas de calor, combinada com a falta de precipitações significativas nas Regiões Norte e Nordeste. Com informações da Agência Brasil

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!