Indústria brasileira vê faturamento reagir, mas corte de vagas persiste pelo terceiro mês consecutivo

O setor fabril brasileiro vive um momento de sinais trocados. Embora as receitas tenham demonstrado uma recuperação em novembro de 2025, o impacto social da desaceleração econômica começa a aparecer de forma mais nítida nas planilhas de recursos humanos. Segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta semana, o emprego no setor registrou sua terceira queda mensal seguida, evidenciando que a indústria está operando com o “freio de mão puxado” devido ao cenário de juros altos.

O paradoxo entre receita e mercado de trabalho
Em novembro, o faturamento real da indústria de transformação apresentou uma alta de 1,2% em comparação ao mês anterior. No entanto, esse fôlego financeiro não foi suficiente para sustentar as contratações. O nível de emprego recuou 0,2% no mês, acumulando uma perda de 0,6% desde setembro.

Apesar da tendência negativa recente, o saldo anual ainda é resiliente, com uma expansão de 1,7% entre janeiro e novembro. Contudo, o economista da CNI, Marcelo Azevedo, alerta que o auge da contratação, visto em 2024, ficou para trás. O setor agora sofre os efeitos do aumento da taxa Selic, que encarece o crédito e reduz o ritmo de produção a longo prazo. Como demitir e recontratar profissionais qualificados é um processo caro, as empresas seguraram as vagas o quanto puderam, mas o enfraquecimento da atividade tornou os cortes inevitáveis.

Massa salarial ensaia melhora, mas rendimento anual encolhe
Após quatro meses de perdas sucessivas, os trabalhadores que permaneceram empregados viram um alívio temporário em seus bolsos no mês de novembro. A massa salarial real subiu 1,5%, enquanto o rendimento médio real avançou 1,6%.

Entretanto, quando olhamos para o ano de 2025 como um todo, o cenário é de perda de poder de compra. No acumulado de janeiro a novembro, a massa salarial registra queda de 2,3% e o rendimento médio dos operários amarga um recuo de 4%. Esses números refletem uma indústria que luta para manter a rentabilidade em meio a custos crescentes e demanda instável.

Ociosidade nas fábricas e cautela para o fechamento do ano
Outro indicador que acende o sinal amarelo é a Utilização da Capacidade Instalada (UCI). Em novembro, as máquinas operaram em 77,5% do seu potencial, uma queda de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Mais grave é a comparação anual: a indústria está utilizando 2,4 pontos percentuais a menos de sua capacidade do que no mesmo período de 2024.

As horas trabalhadas na produção também caíram 0,7% em novembro, reforçando que o crescimento de 1,2% no faturamento é uma recuperação pontual e não uma tendência de aceleração. Com o faturamento acumulado no ano em apenas 0,3%, a CNI projeta que a indústria deve encerrar 2026 em um ritmo de cautela, aguardando sinais de queda nos juros para voltar a investir e, consequentemente, a contratar. Com informações da Agência Brasil

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