Seleção genética foca na docilidade para otimizar o manejo da raça Brangus
A pecuária moderna no sul do Brasil está dando um passo estratégico ao incluir o comportamento animal como um pilar fundamental no melhoramento genético. Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, sediada em Bagé (RS), estão aplicando metodologias inovadoras para mapear o temperamento de bovinos da raça Brangus. O objetivo é identificar e selecionar exemplares mais calmos, criando linhagens que unam alta produtividade a uma convivência mais harmoniosa e segura nos sistemas de produção.
A velocidade de fuga como termômetro do temperamento
Para medir o grau de reatividade de machos e fêmeas com idade entre um e dois anos, a ciência utiliza um teste prático e objetivo conhecido como “velocidade de fuga”. O procedimento ocorre em um percurso curto de 2,70 metros, equipado com sensores eletrônicos de alta precisão na entrada e na saída.
O funcionamento é simples, mas revelador: assim que o animal atravessa o primeiro sensor, o cronômetro é disparado, sendo interrompido apenas quando ele cruza a segunda barreira. Animais que saem caminhando de forma tranquila registram tempos maiores e velocidades baixas, sendo classificados como dóceis. Já aqueles que disparam rapidamente pelo trajeto demonstram maior agitação e reatividade. Para garantir a fidelidade dos dados, cada bovino passa pelo teste duas vezes, gerando um índice médio que serve de base para a seleção ou descarte.
Benefícios que vão além da tranquilidade no curral
A busca por animais menos reativos não é apenas uma questão de conveniência, mas de eficiência econômica e bem-estar. Bovinos calmos facilitam o manejo diário, reduzem drasticamente o risco de acidentes com os trabalhadores e sofrem menos estresse, o que impacta diretamente na qualidade da produção de corte.
Além disso, o temperamento é um fator que influencia o desempenho metabólico e a adaptação do rebanho ao ambiente. Ao integrar esses dados comportamentais com informações genômicas, a Embrapa busca consolidar o Brangus como uma raça cada vez mais resiliente e rentável para o pecuarista brasileiro.
A trajetória histórica da raça Brangus no Brasil
A raça Brangus carrega um DNA de adaptabilidade. Originada nos Estados Unidos no início do século passado a partir do cruzamento entre as raças Aberdeen Angus e Brahman, ela encontrou no Brasil um solo fértil para evolução. Os trabalhos em território nacional começaram em 1945, justamente em Bagé, na então Fazenda Experimental Cinco Cruzes.
O desenvolvimento focou na combinação ideal de robustez e qualidade de carne, chegando à composição genética de 5/8 Angus e 3/8 Nelore. Inicialmente batizada de Ibagé, a raça evoluiu para o nome Brangus, consolidando-se como uma solução robusta tanto para os campos naturais do Rio Grande do Sul quanto para as zonas de clima tropical do país. Com informações da Embrapa


