Saques na caderneta de poupança superam depósitos e atingem R$ 11 bilhões de reais em março
A tradicional caderneta de poupança registrou um saldo negativo expressivo no fechamento do terceiro mês do ano. Segundo dados oficiais do Banco Central (BC), o volume de retiradas superou as novas aplicações em R$ 11,1 bilhões. Durante o período, os brasileiros depositaram R$ 369,6 bilhões, mas o volume de resgates foi consideravelmente maior, totalizando R$ 380,7 bilhões. Mesmo com o crédito de R$ 6,3 bilhões em rendimentos nas contas, o balanço final reforça uma tendência de esvaziamento do investimento mais popular do país.
O movimento de queda não é um fato isolado de março. No acumulado dos primeiros três meses de 2026, a retirada líquida já soma R$ 41,2 bilhões. O fenômeno reflete o comportamento observado nos últimos anos: em 2023 e 2024, a debandada de recursos alcançou R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Atualmente, o montante total mantido pelos poupadores na modalidade permanece próximo à marca de R$ 1 trilhão.
Cenário de juros altos e busca por rentabilidade explicam retiradas
O principal fator que impulsiona a saída de recursos da poupança é a manutenção da Selic em patamares elevados. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha iniciado um movimento de redução na taxa básica de juros, com um corte recente de 0,25 ponto percentual, o indicador ainda favorece outras modalidades de investimento que oferecem retornos mais atrativos.
Além disso, a autoridade monetária monitora com cautela o cenário internacional, especialmente as tensões no Oriente Médio, o que pode interromper o ciclo de queda dos juros caso a inflação sofra novas pressões. A Selic atua como o principal mecanismo para manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro da meta de 3%.
Inflação apresenta oscilações no início do ano
O comportamento dos preços também influencia a capacidade de poupança das famílias. Em fevereiro, a inflação oficial registrou uma aceleração para 0,7%, impulsionada principalmente pelos custos com educação e transportes. Apesar desse salto mensal em relação a janeiro, o acumulado de 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo da barreira dos 4% pela primeira vez desde o primeiro semestre de 2024.
Quando os juros sobem para frear o consumo e controlar esses preços, o crédito se torna mais caro e outros ativos financeiros de renda fixa acabam captando o dinheiro que antes ficava parado na poupança, explicando o saldo negativo recorrente reportado pelo Banco Central. Com informações da Agência Brasil

