Número de pessoas com 60 anos ou mais cresce cinco vezes mais que a média e vira o fiel da balança eleitoral

O perfil do eleitorado brasileiro passou por uma transformação profunda nos últimos 16 anos, consolidando a população idosa como um dos pilares mais estratégicos para as eleições de 2026. Um levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que o número de votantes com 60 anos ou mais — a chamada Geração Prateada — saltou 74% entre 2010 e março deste ano.

O crescimento é impressionante quando comparado à evolução do eleitorado geral, que aumentou apenas 15% no mesmo período. Em números absolutos, esse contingente saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas aptas a votar. Com o prazo para regularização do título se encerrando em 6 de maio, a expectativa é que esse volume cresça ainda mais, podendo definir o rumo de disputas acirradas.

O peso estratégico do voto sênior em cenários polarizados
Atualmente, um em cada quatro eleitores brasileiros tem mais de 60 anos, representando 23,2% do total de votantes. Em um cenário de polarização política intensa, como o registrado no último pleito nacional, esse grupo assume o papel de “fiel da balança”. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destaca que, embora esse público não defina o resultado sozinho, sua relevância numérica é capaz de desequilibrar sistemas que operam em margens estreitas de votos.

A tendência é que o peso desses eleitores acompanhe o aumento da longevidade no Brasil. Em três décadas, a população com mais de 60 anos saltou de 7% para 16% da população total, e o reflexo nas urnas é imediato. Para os candidatos, conquistar a Geração Prateada deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade de sobrevivência política.

Queda na abstenção e engajamento por convicção
Ao contrário do eleitorado geral, que viu os índices de ausência subirem nas últimas três eleições, os idosos estão comparecendo cada vez mais às urnas. Enquanto a abstenção nacional subiu de 19,4% para 20,9% entre 2014 e 2022, a da Geração Prateada caiu de 37,1% para 34,5%.

Mesmo entre os maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo, o engajamento cresceu. A abstenção nessa faixa caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022. Para os especialistas, esse público participa do processo eleitoral por forte convicção ou identificação ideológica, tornando-se, ao lado dos jovens de 16 e 17 anos, o grupo mais disputado pelas campanhas que buscam votos decididos.

A presença da experiência também nas candidaturas
A influência da Geração Prateada não se restringe apenas ao ato de votar, mas também à ocupação de espaços de poder. O número de candidatos com mais de 60 anos atingiu patamares recordes. Nas eleições de 2024, mais de 70 mil brasileiros nessa faixa etária se lançaram a cargos públicos, representando 15% de todas as candidaturas.

Nas eleições gerais de 2022, a proporção foi ainda maior, com 17% dos candidatos pertencendo a esse grupo. Esse movimento indica que os seniores estão cada vez mais ativos na linha de frente da política, refletindo um desejo de representatividade que acompanha o envelhecimento populacional e a busca por políticas públicas que atendam às necessidades específicas dessa nova e poderosa maioria. Com informações da Agência Brasil

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