Pará de Minas terá programação especial na luta antimanicomial para combater preconceitos e fortalecer cuidado humanizado na rede de saúde mental
A Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, preparou uma programação especial para marcar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio. A proposta é ampliar o debate sobre saúde mental, incentivar o acolhimento humanizado e combater preconceitos ainda enfrentados por pessoas em sofrimento psíquico.
As atividades serão realizadas ao longo da próxima semana e foram construídas em conjunto com usuários dos serviços, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A coordenadora da RAPS, Raianne Couto, destacou que a campanha deste ano pretende valorizar o cuidado individualizado e humanizado.
“Trazer o 18 de maio para a pauta é lembrar que o cuidado em saúde mental precisa enxergar cada pessoa na sua singularidade, considerando vulnerabilidades, desafios, medos e responsabilidades”, afirmou:
Raianne Couto
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Quebra de preconceitos é um dos maiores desafios
Segundo Raianne, um dos principais obstáculos ainda enfrentados pela rede é o preconceito relacionado ao sofrimento mental.
“O maior desafio continua sendo quebrar paradigmas e conscientizar as pessoas de que sofrimento mental não é frescura e que essas pessoas têm os mesmos direitos que qualquer outra”, ressaltou.
Ela também enfatizou que não basta apenas ter serviços disponíveis, mas garantir que a população se sinta acolhida e aceite buscar acompanhamento psicológico e psiquiátrico quando necessário.

Eventos terão seminário, arte, música e participação popular
A programação contará com três grandes eventos abertos à comunidade. No dia 18 de maio, das 8h às 11h, será realizado no Teatro Municipal de Pará de Minas um seminário de boas práticas com o tema “Tecendo a Liberdade”. O encontro terá apresentações de projetos desenvolvidos dentro da rede de atenção psicossocial, com participação de usuários, familiares e profissionais.
Durante o seminário também haverá apresentações artísticas, encenações teatrais e o lançamento de um videoclipe produzido pelos próprios usuários do serviço de saúde mental.
“O videoclipe foi construído pelos usuários junto com os técnicos da rede. A música também foi criada e cantada por eles, mostrando o protagonismo dessas pessoas dentro do processo de cuidado”, explicou Raianne.
Já no dia 20 de maio, usuários participarão da criação de um mural de grafite no CAPS AD. Encerrando a programação, no dia 22, será promovida uma ação aberta ao público na praça no bairro Grão-Pará, com dança, mural artístico coletivo, auriculoterapia e um café comunitário:
Raianne Couto
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Todas as UBS de Pará de Minas contam com psicólogos
Reforçando o compromisso com a saúde mental, a Secretaria Municipal de Saúde mantém atendimento psicológico em todas as Unidades Básicas de Saúde do município.
O psicólogo da Rede de Atenção Primária à Saúde, Vitor Morgado, explicou que atualmente a cidade possui 33 psicólogos distribuídos pelas UBSs.
“Hoje cada UBS possui seu próprio psicólogo, além das equipes de apoio que também oferecem atendimento à população”, informou:
Vitor Morgado
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Atendimento pode ser agendado diretamente na UBS
De acordo com Vitor Morgado, o acesso ao serviço psicológico é facilitado e pode ocorrer de diferentes maneiras.
“O próprio paciente pode procurar a recepção da UBS e realizar o agendamento. Também existem encaminhamentos feitos por médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde”, explicou.
Entre as principais demandas atendidas atualmente estão ansiedade, depressão e, mais recentemente, problemas relacionados a jogos, apostas e outras dependências.
“Tem aparecido muito no nosso cotidiano questões ligadas aos jogos e apostas, além de outras drogas. Isso tem exigido bastante atenção da rede”, alertou o psicólogo:
Vitor Morgado
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Casos mais graves recebem prioridade imediata
Segundo Vitor, não existe fila fixa de espera para atendimento psicológico nas UBSs. Os pacientes passam por avaliação e os casos considerados mais graves são priorizados ou encaminhados ao CAPS.
“Se houver uma situação de maior vulnerabilidade ou risco, o paciente é acolhido mais rapidamente e pode ser direcionado para outros serviços especializados da rede”, afirmou.
Além dos atendimentos nas unidades de saúde, os profissionais também promovem ações em escolas, empresas e outros espaços da comunidade, ampliando o acesso à informação e ao cuidado em saúde mental.
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