GRNEWS TV: Rio Pará perde mata ciliar e especialista faz alerta sobre o futuro da água
Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, José Hermano Oliveira Franco, biólogo e presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Pará, disse que a água continua chegando às torneiras de grande parte da população, mas especialistas alertam que essa realidade não deve ser encarada como garantia para o futuro. O diagnóstico da Bacia do Rio Pará aponta sinais preocupantes de degradação ambiental e reforça que a segurança hídrica depende de ações imediatas de preservação e uso consciente dos recursos naturais.
A lembrança da grave crise hídrica enfrentada entre 2013 e 2015, principalmente na região de Pará de Minas, permanece como um exemplo dos impactos causados pela escassez. Na época, bairros chegaram a ficar semanas sem abastecimento regular, obrigando moradores a mudar completamente a rotina. Com os investimentos realizados posteriormente, a situação foi normalizada, mas muitos dos hábitos de economia de água acabaram sendo abandonados com o passar do tempo.
Especialistas defendem que a conscientização precisa ser permanente, já que o desperdício continua sendo um dos principais desafios para garantir água às próximas gerações.
Diagnóstico preocupa e reforça necessidade de preservação
Estudos realizados ao longo de aproximadamente 300 quilômetros da Bacia do Rio Pará mostram que o cenário ainda inspira cuidados. Levantamentos indicam que cerca de 70% da mata ciliar já foi perdida, favorecendo processos de erosão, assoreamento e redução da qualidade da água.
Outro problema é o baixo índice de tratamento de esgoto em diversos municípios da bacia. Em algumas cidades existem estações de tratamento, porém nem sempre operam plenamente, comprometendo a recuperação dos cursos d’água.
Especialistas ressaltam que o crescimento das cidades, da indústria e da agropecuária aumenta a demanda por água. Sem investimentos em preservação das nascentes, recuperação das áreas degradadas e ampliação do saneamento básico, a região poderá enfrentar dificuldades de abastecimento nas próximas décadas.
Além disso, as discussões sobre mudanças na gestão dos serviços de saneamento também despertam atenção. Independentemente do modelo adotado, a prioridade deve ser ampliar os investimentos em infraestrutura, tratamento de esgoto e proteção dos mananciais.
A recomendação é clara: preservar hoje significa garantir água para o futuro. A recuperação das matas ciliares, o monitoramento constante dos rios e o consumo consciente são considerados medidas essenciais para evitar que a crise hídrica volte a atingir a região.
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