Diferença entre intolerância à lactose e alergia ao leite exige atenção no diagnóstico
Embora sejam tratadas frequentemente como a mesma complicação, a intolerância à lactose e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) consistem em diagnósticos distintos. Cada uma apresenta origens, manifestações e condutas terapêuticas próprias. Enquanto o primeiro quadro decorre de limitações no processo digestivo do açúcar do leite, o segundo decorre de uma resposta do sistema imune, podendo desencadear episódios de maior gravidade. O correto entendimento dessas divergências evita dietas restritivas desnecessárias e assegura a condução clínica apropriada.
Pesquisa divulgada pelo laboratório Genera aponta que aproximadamente 51% dos adultos no Brasil possuem predisposição genética para o desenvolvimento de intolerância à lactose. Por sua vez, dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que a APLV atinge perto de 350 mil indivíduos no país.
A alergologista Cristina Abud de Almeida, médica da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, esclarece que a intolerância à lactose possui caráter estritamente digestivo e envolve um carboidrato. A especialista detalha que o problema ocorre devido à produção insuficiente da enzima lactase, incumbida de fracionar a lactose. Sem o devido fracionamento, o açúcar alcança o intestino grosso de forma íntegra e passa por fermentação bacteriana, gerando desconfortos como acúmulo de gases, distensão abdominal, dores e quadros diarréicos.
Reações do sistema imunológico e riscos à saúde
Diferente do distúrbio enzimático, a alergia à proteína do leite representa uma resposta defensiva do organismo. A médica pondera que as defesas corporais identificam incorretamente proteínas como a caseína ou as presentes no soro como elementos nocivos, deflagrando uma reação imune.
Cristina Abud de Almeida alerta que os sintomas da APLV possuem maior gravidade, abrangendo lesões cutâneas com manchas avermelhadas, edema labial, desconfortos respiratórios severos, emese e presença de sangue nas evacuações. A médica adverte ainda para o risco de anafilaxia, condição que exige o banimento definitivo de itens lácteos e derivados da rotina alimentar. No que tange aos alimentos rotulados como “zero lactose”, a especialista orienta cautela, tendo em vista que algumas composições apenas adicionam a enzima sem retirar a proteína, o que não confere segurança ao paciente alérgico.
Valor nutricional do leite e orientações para substituição
A despeito da necessidade de exclusão do alimento quando há confirmação médica, o leite de vaca permanece reconhecido como fonte rica e acessível de elementos essenciais. A bebida disponibiliza proteínas de elevado valor biológico, cálcio e complexos vitamínicos fundamentais para a manutenção corporal, especialmente nas etapas de desenvolvimento infantil e na maturidade.
Para os pacientes que demandam o afastamento do produto, a médica orienta que a substituição leve em conta a faixa etária. Em se tratando de lactentes, a escolha por fórmulas de aminoácidos ou extensamente hidrolisadas varia segundo as manifestações clínicas, buscando garantir o suprimento nutricional antes oferecido pelo produto de origem animal. Já para crianças acima de dois anos, avalia-se o nível de tolerância à proteína para definir a opção mais conveniente.
A médica enfatiza que alterações na dieta não devem ser executadas de forma autônoma. O suporte de um nutricionista ou nutrólogo revela-se indispensável para assegurar a ingestão completa de nutrientes e afastar deficiências nutricionais futuras. Cristina Abud de Almeida conclui destacando que a identificação precisa do quadro representa a etapa inicial para a preservação da saúde, pontuando que opções seguras para a população em geral podem representar riscos a quem possui alergia, tornando o monitoramento profissional indispensável. Com informações da Assessoria de Comunicação da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

