O perigo invisível das redes sociais e da IA nas eleições
Especialistas alertam para os riscos dos algoritmos de recomendação e de deepfakes, defendendo maior regulação e educação midiática no país
O cenário político e digital brasileiro necessita de uma ampliação na regulação das plataformas de tecnologia e de um rigor maior na fiscalização de publicações geradas por inteligência artificial. O alerta foi emitido por Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), e por Larissa Santiago, cofundadora da rede de comunicação independente Blogueiras Negras.
As avaliações foram externadas durante o webinário, realizado neste mês de setembro, intitulado Tecnologias, IA e Eleições, organizado pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras. Na ocasião, Fernanda Rodrigues direcionou os holofotes para a lógica operacional dos algoritmos de recomendação, argumentando que são as próprias ferramentas digitais que definem unilateralmente o material exibido aos cidadãos.
Necessidade de regras mínimas
Para conter distorções, a diretora do IRIS defendeu a implementação de diretrizes normativas básicas. Segundo ela, é fundamental garantir que os usuários tenham o direito de recusar conteúdos padronizados e assegurar que as engrenagens de recomendação não operem sob vieses discriminatórios.
No que tange ao avanço da inteligência artificial, as especialistas apontaram que a evolução tecnológica tem caminhado distante das reais necessidades da população, enquanto o ecossistema do debate permanece concentrado sob o monopólio das gigantes corporativas do setor tecnológico.
O desafio da educação midiática
Ao avaliar o panorama nacional, Larissa Santiago pontuou que o Brasil dispõe de um arcabouço regulatório satisfatório para a inteligência artificial quando comparado a outras nações, mas ponderou que o país carece de fiscalização intensificada e de iniciativas robustas voltadas à alfabetização digital e midiática.
Conforme a cofundadora das Blogueiras Negras, grande parte da sociedade ainda apresenta limitações para distinguir um indivíduo real de uma representação produzida sinteticamente, tornando urgente a educação da população diante dessas ferramentas.
Impacto da tecnologia nos pleitos eleitorais
Relembrando o contexto político que culminou no afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 — período anterior à difusão comercial das atuais tecnologias generativas —, Larissa destacou que a circulação prévia de registros visuais e informativos distorcidos já demonstrava o potencial de manipulação. Para ela, os recursos tecnológicos atuais elevam a capacidade de propagar a violência política de gênero e raça por meio de campanhas de desinformação e conteúdos do tipo deepfake. Com informações da Agência Brasil.


