Prevenção em alta: 92% das brasileiras na faixa prioritária já realizaram mamografia
O Brasil registra um avanço histórico no cuidado com a saúde da mulher. Dados recentes da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, revelam que a adesão à mamografia entre mulheres de 50 a 69 anos saltou de 82,8%, em 2007, para expressivos 91,9% em 2024. O crescimento foi observado de forma democrática em todos os níveis de escolaridade e faixas etárias, sinalizando que a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce está vencendo barreiras sociais e geográficas.
O destaque positivo recai sobre o grupo entre 60 e 69 anos, onde a taxa de realização do exame atingiu 93,1%. Além disso, houve um avanço significativo entre mulheres com menor nível de instrução, demonstrando a eficácia das políticas de busca ativa e informação na base da pirâmide social.
Novas diretrizes ampliam proteção para mulheres mais jovens e idosas
Acompanhando as mudanças no perfil epidemiológico da doença, o Ministério da Saúde decidiu flexibilizar e ampliar o acesso ao rastreamento preventivo. Uma das medidas mais celebradas é a inclusão de mulheres de 40 a 49 anos no protocolo de mamografia, mesmo que não apresentem sintomas. Anteriormente, esse grupo enfrentava dificuldades burocráticas no Sistema Único de Saúde (SUS), dependendo de histórico familiar ou sinais visíveis da doença para conseguir o pedido médico.
A importância dessa mudança é confirmada pelos números: um quarto dos tumores de mama detectados hoje ocorrem justamente nessa década de vida. Outra alteração estratégica foi o aumento da idade limite para o rastreamento periódico, que passou de 69 para 74 anos. A decisão baseia-se no fato de que o envelhecimento é um fator de risco primordial e que 60% dos casos se concentram na faixa dos 50 aos 74 anos.
O desafio contra o tempo e as filas de tratamento
Apesar dos avanços estatísticos, o cenário oncológico brasileiro ainda enfrenta gargalos críticos. O Inca estima que, entre 2026 e 2028, surgirão anualmente mais de 78 mil novos casos de câncer de mama no país. Bruno Giordano, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio de Janeiro, alerta que o sucesso da mamografia depende da agilidade das etapas seguintes.
Muitas pacientes ainda descobrem a doença em estágios avançados devido à demora entre o exame inicial, a biópsia confirmatória e o início efetivo da terapia. O especialista reforça a necessidade de cumprimento rigoroso da “Lei dos 60 dias”, que garante por lei o início do tratamento no SUS em até dois meses após o diagnóstico oficial. Quando o tumor é identificado em sua fase inicial, as chances de cura podem alcançar 95%.
Prevenção além do hospital: o peso do estilo de vida
Além da vigilância médica constante, especialistas enfatizam que a prevenção começa com as escolhas cotidianas. O combate ao sedentarismo e à obesidade, aliado a uma dieta equilibrada e à redução do consumo de álcool, são pilares fundamentais para diminuir a incidência da neoplasia.
A mensagem das autoridades de saúde é clara: a mamografia deve ser encarada como um compromisso de rotina. “Cada exame realizado representa uma oportunidade concreta de salvar vidas”, define Giordano. O objetivo agora é converter os altos índices de realização de exames em uma redução real da mortalidade, que hoje ceifa 37 mil vidas femininas por ano no Brasil. Com informações da Agência Brasil


