Comissão da Câmara dos Deputados discute com prefeitos e atingidos por barragens soluções para tragédia da Vale

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A tragédia provocada pelo rompimento da barragem da Mineradora Vale em Brumadinho no dia 25 de janeiro de 2019 causou a morte de 157 pessoas e outras 182 estão desaparecidas.

As equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) continuam em busca de mais corpos. A agonia dos familiares parece não ter fim, apesar de todos reconhecerem o esforço e a dedicação dos homens do Corpo de Bombeiros.

O desastre da Mineradora Vale também provocou um dano ambiental incalculável. Os moradores das áreas atingidas pela lama da barragem em Brumadinho, muitos deles produtores rurais, estão completamente sem rumo na vida depois de perder tudo que levaram tantos anos para conquistar.

Mas o drama também é vivenciado pelos municípios banhados pelo Rio Paraopeba. O Governo do Estado de Minas Gerais já avisou que a água do rio oferece riscos a saúde humana e animal. Ambientalistas não se cansam de repetir que o rio já está morto em mais de 150 quilômetros.

Nesta sexta-feira, 8 de fevereiro, prefeitos dos municípios prejudicados pelos rejeitos da Vale que contaminaram a água do Paraopeba, representantes dos atingidos por barragens e outros cidadãos se reuniram na Câmara Municipal de Brumadinho para discutir o assunto de interesse comum.

O encontro foi promovido pelos integrantes da Comissão Externa das Barragens da Câmara dos Deputados, do Senado, do Ministério Público e da Defensoria Pública.

ASCOM/Prefeitura de Pará de Minas/Divulgação

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados foi constituída para acompanhar e fiscalizar as barragens existentes no Brasil, em especial as investigações relacionadas ao rompimento em Brumadinho. Os deputados tiveram a oportunidade de ouvir as pessoas atingidas por barragens.

O prefeito de Pará de Minas Elias Diniz (PSD) participou do evento em Brumadinho. Destacou as ações realizadas no município neste momento difícil. Cobrou responsabilidade da Vale, uma vez que a captação de água no Paraopeba para abastecer a população foi suspensa dia 29 de janeiro devido a contaminação do rio pelos rejeitos da barragem da mineradora. Voltou a falar em nova adutora para captar água para abastecer os paraminenses:

Elias Diniz
eliasdinizbrumadinho2

Outro que está preocupado é o prefeito de Abaeté Armando Greco Filho (DEM). O município que ele administra tem mais de 27 mil habitantes e em seu território abriga parte da barragem de Três Marias, que também pode ser atingida pelos rejeitos da Vale:

Armando Greco Filho
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O prefeito de Morada Nova de Minas Olímpio Francisco de Moura (MDB) também participou da audiência em Brumadinho. Ele teme que a contaminação das águas causadas pelo rompimento da barragem da Vale prejudique a piscicultura, lavouras irrigadas e o turismo em sua cidade:

Olímpio Francisco de Moura
olimpiobrumadinho

ASCOM/Prefeitura de Pará de Minas/Divulgação

José Geraldo Martins, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, disse que desde que a Vale foi privatizada as coisas mudaram para pior. Para ele a empresa adotou um modelo predatório de exploração de minério e também não respeita as pessoas. Defende que a mineradora mude seus conceitos, apesar da legislação permissiva e de um controle social frágil:

José Geraldo Martins
josegeraldobrumadinho

O deputado federal Diego Andrade (PSD) espera que a partir da Comissão Externa da Câmara dos Deputados pode ser elaborada a Carta de Brumadinho para traçar as diretrizes para que crimes como o de Brumadinho não se repitam. Disse também que a bancada de Minas Gerais no Congresso Nacional pode destinar por meio de emenda parlamentar cerca de R$ 40 milhões para os municípios atingidos pelos rejeitos:

Diego Andrade
diegobrumadinho1

O Movimento dos Atingidos por Barragens cobrou dos deputados estaduais a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Junto aos deputados federais reivindicam a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com integrantes da Câmara dos Deputados e do Senado para investigar processo da mineração no Brasil, para que não se repitam tragédias como em Mariana e Brumadinho.

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