Terceiro setor supera empresas privadas na média salarial

Uma análise detalhada sobre o mercado de trabalho nacional revela um cenário surpreendente no bolso dos trabalhadores. Em 2023, as fundações e associações sem fins lucrativos registraram remunerações médias superiores às oferecidas pelo setor empresarial tradicional. Enquanto os funcionários de empresas receberam cerca de 2,5 salários mínimos, aqueles vinculados a organizações não governamentais e fundações privadas alcançaram uma média de 2,8 salários mínimos, o equivalente a R$ 3.630,71 mensais.

Os dados foram publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do levantamento Fasfil, que mapeia a atuação dessas entidades no Brasil. O estudo destaca que, apesar do bom desempenho frente às empresas, ambos os setores ainda ficam atrás da administração pública, onde o vencimento médio gira em torno de quatro salários mínimos.

Expansão e relevância social no território brasileiro
O universo das chamadas Fasfil — que engloba instituições religiosas, educacionais, de saúde e associações comunitárias — apresentou um crescimento de 4% entre 2022 e 2023. Atualmente, o país conta com quase 600 mil organizações desse tipo, representando 5% de todas as entidades ativas no Brasil.

Esse grupo é responsável por empregar 2,7 milhões de cidadãos, o que corresponde a pouco mais de 5% da força de trabalho formal do país. Para Francisco Marta, coordenador do IBGE, esses números evidenciam como essas instituições são pilares da economia e da sociedade, atuando diretamente em áreas onde o braço estatal muitas vezes não chega sozinho, como na proteção ambiental e na defesa de direitos.

Presença feminina e desigualdade de gênero
O setor se destaca por ser um grande empregador de mulheres. Elas representam 68,9% da força de trabalho nessas fundações, um número significativamente superior à média geral do mercado brasileiro, que é de 45,5%. Em áreas específicas, como a educação infantil, a presença feminina é quase absoluta, atingindo 91,7% das vagas.

Contudo, a predominância feminina não se traduz em equidade financeira. Mesmo em um setor que paga acima da média empresarial, a disparidade salarial persiste: as mulheres ganham 19% menos do que os homens nas mesmas categorias de instituições sem fins lucrativos.

Saúde e educação lideram a geração de empregos
Embora as entidades religiosas formem a maioria absoluta em termos de quantidade de instituições (mais de 210 mil), são os setores de saúde e educação que realmente movimentam o mercado de trabalho. Quatro em cada dez funcionários dessas fundações trabalham em hospitais ou unidades de saúde, totalizando 1,1 milhão de profissionais.

O porte das organizações também varia drasticamente conforme a atividade. Enquanto as associações religiosas operam com estruturas enxutas, os hospitais filantrópicos e as instituições de ensino superior apresentam as maiores folhas de pagamento, chegando a médias de centenas de funcionários por unidade. Com informações da Agência Brasil

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