Inhotim celebra 20 anos com novas imersões artísticas
O Instituto Inhotim, referência global como o maior museu a céu aberto da América Latina, deu início oficial às comemorações de seus 20 anos. Localizado em Brumadinho, Minas Gerais, o espaço inaugurou três produções inéditas que reforçam sua missão de integrar o meio ambiente, a expressão artística e o conhecimento educativo. As obras assinadas por Lais Myrrha, Dalton Paula e Davi de Jesus Nascimento propõem diálogos profundos sobre o território e a memória brasileira.
De acordo com a diretora artística da instituição, Júlia Rebouças, os novos trabalhos funcionam como capítulos adicionais em uma narrativa que vem sendo escrita há duas décadas. Para ela, as instalações visitam temas contemporâneos e resgatam momentos da história recente que muitas vezes permanecem invisibilizados.
Reflexões sobre arquitetura e a paisagem da mineração
No topo de uma das elevações do museu, a escultura monumental “Contraplano”, de Lais Myrrha, estabelece um contraste visual marcante. Construída com aço inoxidável e concreto armado, a peça remete à estética modernista de Oscar Niemeyer e oferece uma vista que abrange tanto a preservação botânica quanto as marcas das cavas de mineração na região. A artista mineira propõe um questionamento sobre como as tecnologias de construção impactam a natureza e a montanha ao longo do tempo.
Visitantes que acompanham a trajetória do instituto destacam o impacto sensorial da obra. É o caso da psicóloga Paola Prates, que observou como a instalação acolhe o público enquanto provoca uma lembrança constante sobre as transformações causadas pela atividade minerária no entorno de Brumadinho.
Ancestralidade e cultura afro-brasileira em foco
A Galeria Mata recebeu a exposição “Dupla Cura”, de Dalton de Paula, que reúne cerca de 120 itens entre vídeos, pinturas e instalações. Esta é a maior exibição do artista brasiliense já realizada no país, focada em temas como espiritualidade e memória coletiva. O título faz alusão à devoção aos santos gêmeos Cosme e Damião, simbolizando a ideia de que o cuidado individual está ligado ao bem-estar da comunidade.
O artista descreve seu trabalho como um “oráculo” que utiliza o passado para projetar visões sobre o presente e o futuro. Para o público, como o engenheiro de som Marcos Soares, a mostra oferece uma oportunidade rara de vivenciar realidades e expressões gráficas ricas que fogem do cotidiano urbano tradicional.
O Rio São Francisco e as memórias das águas
Na Galeria Nascente, a instalação “Tororama”, de Davi de Jesus Nascimento, transporta o visitante para o universo dos povos ribeirinhos do norte de Minas Gerais. O projeto imersivo inclui pinturas, registros audiovisuais feitos nas Cavernas do Peruaçu e carrancas históricas produzidas pelo Mestre Expedito.
A obra é profundamente autobiográfica, inspirada na vivência do artista em Pirapora e em sua família de pescadores e lavadeiras. O título da instalação evoca a obra de Guimarães Rosa e a relação mística com o Rio São Francisco, elemento que Davi define como o condutor de sua energia criativa e de suas memórias familiares mais profundas.
Um legado de arte e botânica em Minas Gerais
Idealizado na década de 1980 e aberto ao público em 2006, o Inhotim ocupa uma área de 140 hectares entre a Mata Atlântica e o Cerrado. O instituto é mantido por doações e leis de incentivo, abrigando hoje um acervo de quase 1,9 mil obras de artistas de 43 nacionalidades diferentes. Além do valor artístico, o local funciona como um Jardim Botânico que preserva mais de 4,3 mil espécies raras de todos os continentes, consolidando-se como um patrimônio cultural e ecológico único no Brasil. Com informações da Agência Brasil


