Cientistas da Uerj assumem papel estratégico em novo relatório climático da ONU
A excelência da ciência fluminense ganha destaque no cenário global com a seleção das professoras Letícia Cotrim e Luciana Prado para integrarem o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. As pesquisadoras da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) fazem parte de um restrito grupo de 664 especialistas mundiais convidados para elaborar o 7º Ciclo de Avaliação, documento que servirá como base para as principais decisões políticas e ambientais do planeta até 2028.
Protagonismo feminino e liderança brasileira
A participação da Uerj é emblemática: entre os apenas 18 cientistas brasileiros escolhidos pelo painel, a universidade estadual é a única instituição do país a contar com duas mulheres no grupo. Ambas atuarão no Grupo de Trabalho 1, focado nas bases físicas do sistema climático. Letícia Cotrim assume a função de autora-coordenadora, enquanto Luciana Prado contribuirá como autora-líder. O feito reforça o papel da produção científica feminina em espaços de poder e na formulação de estratégias globais fundamentadas em evidências.
Diagnóstico do clima e projeções para o futuro
O trabalho das pesquisadoras envolve mergulhar em dados complexos para entender o funcionamento da Terra. A professora Letícia Cotrim, veterana do ciclo anterior, coordenará estudos sobre os processos no sistema terrestre, analisando como ecossistemas marinhos, costeiros e terrestres interagem com a atmosfera e as regiões polares. Já a professora Luciana Prado focará em um diagnóstico global, utilizando a paleoclimatologia — o estudo dos climas passados — para decifrar padrões que permitam projetar com maior precisão o que esperar do clima nas próximas décadas.
O rigor científico por trás do relatório do IPCC
Os relatórios do IPCC são considerados a “bíblia” das negociações climáticas internacionais. Embora não tenham caráter impositivo, suas recomendações guiam acordos globais e estratégias de mitigação e adaptação. O processo de elaboração é minucioso, incluindo análises de gases de efeito estufa, elevação do nível do mar, eventos extremos e o ciclo do carbono. Após reuniões presenciais — a primeira ocorrida em Paris e a próxima agendada para abril de 2026 em Santiago, no Chile —, o documento passará por rigorosas revisões de outros cientistas e governos antes de sua publicação final.
Um esforço global concluído em 2028
O 7º Ciclo de Avaliação deve ser finalizado em 2028 com o lançamento de um Relatório Síntese. Até lá, os especialistas dos três grupos de trabalho — que dividem as tarefas entre bases físicas, vulnerabilidades e redução de emissões — trabalharão para compilar o conhecimento mais atualizado da ciência mundial. Para a Uerj, a presença de suas docentes nesse seleto grupo de 111 nações reafirma sua competência na oceanografia e meteorologia, colocando o Rio de Janeiro no centro do debate sobre o futuro da vida no planeta. Com informações da Agência Brasil

