Coletivo G35 aproxima pacientes com esclerose múltipla da rede municipal de saúde
A parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas e o Coletivo G35, formado por pessoas com diagnóstico de esclerose múltipla, busca fortalecer o acolhimento, ampliar o acesso aos serviços disponíveis e facilitar o acompanhamento dos pacientes pelas equipes da Atenção Primária à Saúde.
A iniciativa também contribui para identificar pessoas que convivem com a doença no município e orientar os profissionais sobre suas necessidades. Como a esclerose múltipla pode apresentar manifestações diferentes em cada paciente, o acompanhamento precisa considerar as particularidades de cada caso.
Diagnóstico motivou criação do coletivo
O Coletivo G35 surgiu a partir da experiência de Bianca Morais, que recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla em novembro de 2025. Diante da nova realidade, ela começou a procurar outras pessoas que também conviviam com a doença em Pará de Minas.
A busca por informações e pela possibilidade de compartilhar experiências levou à criação de um grupo no WhatsApp, que posteriormente se consolidou como coletivo.
Bianca conta que uma pesquisa sobre a ocorrência da doença despertou sua atenção para a possibilidade de existirem outros pacientes na cidade. Segundo ela, o levantamento consultado indicava que, a cada 100 mil habitantes, pelo menos 15 pessoas também conviviam com a condição.
A partir dessa constatação, ela decidiu buscar essas pessoas e criar um espaço de conexão, informação e apoio mútuo.

Além de aproximar pacientes, Bianca explica que uma das motivações para organizar o grupo é ampliar o conhecimento sobre a esclerose múltipla, tanto entre os moradores quanto entre os profissionais envolvidos no atendimento.
Na avaliação dela, disseminar informações sobre os diferentes sintomas e manifestações da doença pode contribuir para que sinais suspeitos sejam reconhecidos e investigados, favorecendo encaminhamentos adequados, diagnósticos mais precoces e o início oportuno do tratamento.
O nome escolhido também tem um significado específico. A palavra coletivo representa, para os integrantes, a importância da colaboração e da solidariedade. Já G35 corresponde ao código da Classificação Internacional de Doenças (CID) utilizado para identificar a esclerose múltipla, tornando-se uma referência de identificação e pertencimento para os participantes.
Esclerose múltipla traz desafios físicos e emocionais
A esclerose múltipla é uma doença que afeta o sistema nervoso central e pode provocar manifestações variadas. Entre os sintomas estão dificuldades motoras, alterações na visão, fadiga persistente, mudanças na sensibilidade e dificuldades cognitivas.
Nem todos os sinais são facilmente percebidos por outras pessoas, o que pode dificultar a compreensão dos desafios enfrentados pelos pacientes no cotidiano.
Integrante do Coletivo G35, Patrícia Gonçalves destaca que receber o diagnóstico de uma doença grave costuma provocar mudanças emocionais importantes. O momento pode ser marcado por angústia, medo, dúvidas e insegurança. Em algumas situações, porém, a confirmação também representa alívio, principalmente para quem passou por um longo percurso de consultas, exames e avaliações médicas até descobrir a causa dos sintomas.

Patrícia chama a atenção para o fato de que a esclerose múltipla não está restrita às pessoas idosas, como parte da população pode imaginar. Embora possa ser diagnosticada em diferentes fases da vida, a doença é identificada principalmente em adultos jovens.
Isso significa que muitos pacientes recebem o diagnóstico durante um período de intensa atividade profissional, acadêmica, familiar e afetiva. O tratamento e a convivência com os sintomas podem, portanto, exigir adaptações em diferentes aspectos da rotina.
Apoio familiar é importante durante o tratamento
Para Patrícia, a presença da família e das pessoas próximas é fundamental para enfrentar as dificuldades relacionadas à doença.
Em períodos de maior atividade da esclerose múltipla, conhecidos como surtos, o paciente pode apresentar limitações que exigem ajuda direta. Nessas circunstâncias, o suporte de familiares e pessoas próximas pode fazer diferença no cotidiano.
Ela também ressalta que o acompanhamento psicológico pode ser necessário não apenas para quem recebe o diagnóstico, mas também para os familiares que participam dos cuidados.
O processo de adaptação envolve compreender as manifestações da doença, lidar com as incertezas e reconhecer que cada pessoa pode apresentar necessidades diferentes. Por isso, o acolhimento e a compreensão das pessoas próximas são aspectos importantes durante o acompanhamento.
Atenção Primária oferece diferentes modalidades de atendimento
A parceria com o Coletivo G35 também tem contribuído para aproximar os pacientes dos serviços disponíveis na rede municipal de saúde.
Segundo Mariana Viegas, coordenadora da Atenção Primária à Saúde, o diálogo com o grupo permitiu identificar pessoas diagnosticadas com esclerose múltipla no território e orientar as equipes responsáveis pelo atendimento.

Ela explica que a doença se manifesta de maneiras distintas e que cada paciente enfrenta a condição de acordo com suas próprias necessidades. Por esse motivo, a assistência deve considerar as particularidades individuais.
Entre os serviços que podem ser ofertados pela rede municipal estão atendimento psicológico, acompanhamento nutricional, fisioterapia, pilates e atividades coletivas com educador físico.
Mariana destaca que uma das principais estratégias adotadas em conjunto com o coletivo foi informar às equipes de saúde onde estão os pacientes, permitindo que os profissionais possam acolhê-los, avaliar suas demandas e apresentar as possibilidades de acompanhamento disponíveis.
A proposta é facilitar o acesso aos serviços e fortalecer a atuação da Atenção Primária no cuidado continuado, respeitando as necessidades de cada pessoa.
Encontros mensais promovem troca de experiências
O Coletivo G35 realiza encontros mensais para estimular a troca de experiências, o apoio entre os participantes e a circulação de informações sobre a esclerose múltipla.
O grupo também está aberto a pessoas que receberam o diagnóstico e àquelas que se encontram em investigação para a doença.
Os interessados em conhecer a iniciativa ou obter mais informações podem entrar em contato pelo telefone (37) 99926-7976.
A aproximação entre pacientes, familiares e profissionais de saúde busca ampliar o acolhimento e facilitar o acesso aos recursos existentes na rede municipal, além de contribuir para que a esclerose múltipla seja mais conhecida e compreendida pela sociedade.
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