Decisão familiar favorece doação de órgãos em Minas
A manifestação favorável para a doação de órgãos transforma momentos de perda em esperança de vida para quem aguarda em filas de espera. A escolha da técnica de enfermagem Rosangela Firmino exemplifica esse gesto ao autorizar a doação dos órgãos e tecidos de seu filho Kaio, aos 19 anos, após o diagnóstico de morte encefálica confirmado em 2/1 deste ano, em decorrência de um acidente automobilístico.
O posicionamento de Rosangela integra o quadro de redução no índice de recusa familiar para doação em território mineiro, que caiu de 33,09% em 2024 para 29,4% em 2025, patamar inferior à média do país, fixada em 45%. O cenário projeta ainda a superação dos números de transplantes do ano anterior, quando foram efetuados 2.094 procedimentos. Em 2026, com dados computados até 9/10, o estado já contabiliza 1.678 cirurgias realizadas.
Importância da abordagem humanizada
Rosangela destaca que o diálogo conduzido pela enfermeira Priscila Xavier, integrante da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-Dot) do Hospital Risoleta Tolentino Neves, foi determinante para assegurar o consenso familiar. Ela relembra que a escuta atenta e o acolhimento oferecidos pela profissional ajudaram a trazer tranquilidade para o momento do consentimento.
Treinamento contínuo das equipes de saúde
O diretor do MG Transplantes, instituição vinculada à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Omar Cançado, associa a queda na negativa familiar ao aumento da conscientização popular e à formação permanente das equipes médicas para a comunicação de dados críticos e suporte no processo de luto.
Desde o ano de 2018, descontando a suspensão temporária durante a pandemia de covid-19 e a retomada das turmas em 2022, aproximadamente 5 mil trabalhadores de unidades de saúde públicas, privadas e filantrópicas passaram por aperfeiçoamento. Omar avalia que o país avança de forma consistente, atingindo patamares de procedimentos superiores aos observados em períodos anteriores.
O gestor reforça que o preparo para identificar potenciais doadores e dialogar de maneira clara com as famílias proporciona maior segurança aos parentes, favorecendo a compreensão do diagnóstico e elevando as taxas de aceitação. A orientação da instituição é que a população expresse em vida aos familiares o desejo de ser doador.
Fila de espera em Minas Gerais
O órgão estadual reitera a necessidade da conscientização para reduzir o contingente de pessoas que necessitam de intervenção cirúrgica para sobreviver.
Conforme dados atualizados pelo Ministério da Saúde em 9/10, o estado de Minas Gerais contabilizava 9.257 pacientes inscritos na fila por um transplante. Dentro do grupo que aguarda por órgãos, 4.207 pessoas (95,1%) necessitam de um rim, 110 esperam por um fígado, 65 aguardam pâncreas/rim, 33 precisam de coração, seis buscam pâncreas e três aguardam pulmão. O cadastro referente a córneas reunia 4.833 pessoas no início de outubro. Com informações da Agência Minas.


