Brasil abriu 700 novos mercados para produtos agropecuários
Parceria com bloco europeu impulsiona embarques e agropecuária nacional alcança marca histórica de abertura comercial.
Resultados do acordo comercial com a Europa
As vendas do comércio exterior brasileiro destinadas à União Europeia registraram uma elevação de 30,7% no período compreendido entre maio e setembro deste ano, quando comparadas aos mesmos meses do ano anterior. O balanço foi informado nesta semana, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em agenda realizada na capital federal. O levantamento referente aos nove primeiros meses do ano aponta que o montante acumulado nas comercializações com o grupo europeu atingiu US$ 44,17 bilhões, o que representa um avanço de 20% frente ao intervalo idêntico de 2025.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enfatizou os desdobramentos positivos da parceria e informou que a troca comercial conjunta entre os países integrantes do Mercosul e do bloco europeu teve um acréscimo superior a US$ 6 bilhões após a validação e implementação do instrumento. O diplomata destacou que as remessas brasileiras cresceram 10,4% em 2026, sendo que a aliança entre Mercosul e União Europeia foi responsável por uma ampliação de 30% nas vendas do país desde maio. A aplicação provisória das regras começou no dia 1º de maio, concluindo um processo negocial que se estendeu por quase 27 anos.
Ritmo de expansão e conjuntura internacional
Na mesma oportunidade, Márcio Elias Rosa ponderou que a evolução do fluxo de mercadorias não se restringe à produção do campo. De acordo com o gestor, o intercâmbio comercial do país com o exterior apresentou uma média de crescimento de 10,5%, mesmo diante de um cenário global desafiador, marcado por disputas geopolíticas e pela elevação de barreiras ao comércio.
O representante governamental atribuiu a diversificação e o fortalecimento das parcerias internacionais ao empenho das empresas nacionais em expandir suas atividades, somado às estratégias estatais de incentivo às exportações. Ele frisou que a vitalidade e a capacidade de investimento do setor privado sobressaem-se no agronegócio, assinalando que a prioridade da nova política industrial do país envolve diretamente a agroindústria. Em relação ao diálogo com os Estados Unidos, o ministro definiu a conjuntura presente como delicada, mas enfatizou que o governo manterá os canais de negociação diplomática abertos.
Abertura de novos destinos internacionais
A divulgação das estatísticas comerciais integrou uma solenidade no Ministério da Agricultura e Pecuária, organizada para comemorar a autorização de acesso de itens agropecuários brasileiros a 700 novos mercados no exterior desde o início de 2023. Essas habilitações abrangeram 99 países e blocos econômicos, após o atendimento dos requisitos sanitários exigidos.
O ministro da Agricultura, André de Paula, contrapôs o resultado atual aos números do período governamental anterior, destacando que foram contabilizadas 700 liberações comerciais ante 241 registradas na gestão passada. O titular da pasta também apresentou projeções favoráveis para o setor rural, indicando a intenção de atingir uma representatividade de 29% no Produto Interno Bruto agropecuário neste ano, além de prever um volume de 366 milhões de toneladas para a safra 2026/27.
Projeções de faturamento e aportes financeiros
Com base em projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, os mercados abertos a partir de 2023 renderam US$ 5,8 bilhões em embarques para o Brasil. As estimativas da entidade apontam que os negócios com esses locais podem movimentar até US$ 80 bilhões no intervalo dos próximos quatro anos.
André de Paula afirmou que o país trabalha para encerrar o ciclo anual na liderança global das exportações alimentícias, registrando US$ 169 bilhões acumulados até o momento — valor apenas US$ 2 bilhões inferior ao montante dos Estados Unidos. O gestor ressaltou ainda a destinação de recursos públicos para o setor por meio do Plano Safra, englobando a agricultura familiar e a empresarial, com investimentos que superam R$ 610 bilhões no ciclo atual e somam mais de R$ 1 trilhão ao longo de quatro anos de gestão do presidente Lula. Por fim, citou o aval recebido da China para a venda de miúdos de carne suína e projetou a conquista de novos acessos comerciais para a produção nacional. Com informações da Agência Brasil.

