Diagnóstico de estudantes de medicina aponta desafios nas UBS de Pará de Minas
Experiência prática revela desafios da Atenção Primária
Cinco estudantes do curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Belo Horizonte que realizam estágio na Rede de Atenção Primária à Saúde de Pará de Minas participaram de uma atividade voltada à análise das condições encontradas nos territórios onde atuam. Os alunos apresentaram diagnósticos situacionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), identificando dificuldades observadas na rotina dos serviços e discutindo possíveis caminhos para aperfeiçoar o atendimento.
A iniciativa reuniu os estudantes, o professor e preceptor responsável pelo estágio e representantes da Secretaria Municipal de Saúde. A proposta foi aproximar a experiência acadêmica da realidade vivenciada diariamente pelas equipes e pelos usuários da rede pública.
O trabalho também permitiu que os futuros médicos analisassem os territórios a partir de situações concretas encontradas durante o período de formação prática.

Análise começou com visão geral do município
A primeira etapa ocorreu no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), onde foi realizada uma reunião conjunta. Nesse encontro, os cinco estudantes compartilharam uma avaliação geral de Pará de Minas construída a partir das experiências acumuladas durante o estágio na Atenção Primária.
A atividade não ficou restrita a uma apresentação coletiva. Na sequência, o professor e preceptor do estágio percorreu as cinco UBS que recebem os acadêmicos.
Em cada unidade, o estudante responsável pelo território apresentou, com a participação dos profissionais da equipe, os resultados da análise realizada. Foram considerados os principais aspectos observados no cotidiano, com destaque para situações que representam dificuldades para o funcionamento dos serviços e para o acompanhamento da população.
Dessa maneira, o diagnóstico situacional passou a reunir tanto a percepção dos estudantes a partir da vivência acadêmica quanto o conhecimento das equipes que atuam diretamente nas unidades.

Hipertensão e diabetes aparecem entre os desafios
Na UBS do bairro Walter Martins, o estudante Lucas Azevedo Xavier, do 9º período de Medicina, identificou uma dificuldade relacionada ao acompanhamento de pacientes com doenças crônicas.
Segundo a análise apresentada por ele, parte dos usuários encontra dificuldades para manter uma rotina regular de acompanhamento de problemas como hipertensão e diabetes. Em vez de procurar a unidade de forma preventiva e manter o acompanhamento ao longo do tempo, alguns pacientes acabam recorrendo ao serviço principalmente quando surge algum problema de saúde.

A situação evidencia um dos desafios da Atenção Primária: estimular o acompanhamento contínuo e não apenas atuar diante do surgimento ou agravamento de sintomas.
Nesse contexto, o trabalho das equipes das UBS envolve não somente o atendimento das demandas apresentadas pelos pacientes, mas também o acompanhamento das condições de saúde ao longo do tempo.
Formação médica conectada à realidade dos territórios
O médico, professor e preceptor do estágio de Saúde Coletiva, Medicina de Família e Comunidade, Max André dos Santos, destaca que os problemas identificados durante os diagnósticos não são resolvidos de maneira pontual. Na avaliação dele, as situações encontradas exigem acompanhamento permanente, envolvendo profissionais de saúde e a própria comunidade.
A experiência também tem papel importante na formação dos estudantes. Ao participar da rotina das UBS e analisar os territórios em que estão inseridos, os acadêmicos conseguem compreender de forma prática aspectos relacionados à organização da Atenção Primária, às necessidades da população e aos desafios enfrentados pelas equipes.

A vivência permite, ainda, que os futuros médicos desenvolvam uma percepção mais ampla sobre o cuidado em saúde, considerando não apenas a doença apresentada pelo paciente, mas também o território e as características da população acompanhada.
Parceria aproxima universidade e serviço público
O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luiz Lima, avalia que a parceria com a Faculdade Ciências Médicas de Belo Horizonte contribui para o fortalecimento da Atenção Primária em Pará de Minas.
A presença dos estudantes nas unidades cria uma dinâmica de trabalho conjunto com os profissionais da rede. Além da experiência prática proporcionada aos acadêmicos, as análises produzidas durante o estágio oferecem às equipes e à Secretaria Municipal de Saúde uma visão organizada sobre situações identificadas nos diferentes territórios.

Para Luiz Lima, esse intercâmbio entre formação acadêmica e serviço de saúde pode contribuir para aperfeiçoar os processos de trabalho. Os diagnósticos apresentados pelos estudantes passam, assim, a funcionar como uma ferramenta para observar dificuldades específicas de cada unidade e discutir alternativas de melhoria.
Diagnóstico pode orientar aperfeiçoamentos
A atividade realizada em Pará de Minas demonstra como a inserção de estudantes de Medicina na Atenção Primária pode ultrapassar a experiência obrigatória de estágio. Ao analisar os territórios, conversar com as equipes e identificar pontos de atenção, os acadêmicos também participam de uma reflexão sobre a organização dos serviços.

No caso do bairro Prefeito Walter Martins Ferreira, a dificuldade de manter o acompanhamento regular de pacientes com hipertensão e diabetes foi apontada como um dos aspectos que merecem atenção. Em outras unidades, os diagnósticos produzidos pelos estudantes também permitiram identificar desafios próprios de cada território.
A proposta é que essas informações sejam discutidas conjuntamente entre estudantes, profissionais, professores e gestores, fortalecendo a integração entre ensino e serviço e contribuindo para a busca de estratégias capazes de aprimorar a Atenção Primária à Saúde no município.
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