SUS libera até 100 mil atendimentos por mês para combater vício em apostas online

Ampliação no volume de consultas remotas visa atender demanda crescente por tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) elevou sua capacidade de prestação de serviços para alcançar até 100 mil teleatendimentos a cada mês voltados a cidadãos com complicações decorrentes de jogos de azar e apostas virtuais. A nova fase de expansão nas consultas à distância passou a vigorar neste mês de agosto.

A modalidade remota começou a operar originalmente no mês de março, contabilizando uma média de 600 atendimentos virtuais por mês. De acordo com o Ministério da Saúde, o aumento na infraestrutura do serviço tornou-se indispensável diante do expressivo volume de solicitações registradas.

O canal de atendimento é disponibilizado por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em uma ação conjunta estruturada entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Operando à distância com sigilo e acolhimento aos usuários, o mecanismo fornece orientação técnica e acompanhamento por profissionais especializados, servindo como ponto inicial de acesso e encaminhamento para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Indicadores do setor e volume de bloqueios voluntários
Levantamentos oficiais do Ministério da Saúde apontam que mais de 1 milhão de cidadãos requisitaram o bloqueio voluntário do próprio CPF em páginas e plataformas de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, instrumento gerenciado pelo Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.

As estatísticas revelam também que 35% do público total que solicitou o bloqueio tomou a decisão devido à perda do controle financeiro e comportamental em relação aos jogos.

Sinais de alerta para identificação da dependência
A pasta da Saúde mapeou um conjunto de indicadores comportamentais que servem de aviso para o desenvolvimento do vício em apostas:
Alterações nos padrões de sono, na alimentação ou no estado de humor

Ocultação de fatos ou mentiras para parentes e amigos a respeito dos gastos com jogos

Sentimentos de culpa e vergonha associados à prática de apostas

Manifestações de ansiedade, irritação e inquietude ao permanecer distante das plataformas

Utilização das apostas como mecanismo de fuga do estresse ou de frustrações cotidianas

Dificuldade persistente para reduzir o ritmo ou interromper os jogos

Prejuízos na convivência e nas relações pessoais e profissionais

Aumento no consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias entorpecentes

Comprometimento da estabilidade financeira pessoal ou do orçamento familiar em razão das apostas

Fatores que aumentam a vulnerabilidade aos jogos
O Ministério da Saúde relacionou também os principais elementos de risco que contribuem para o surgimento do problema:
Contato e exposição prematura a dinâmicas de apostas

Facilidade de acesso aos canais digitais de jogos

Procura por alívio no campo emocional ou tentativa de fuga de adversidades

Histórico prévio de transtornos psiquiátricos, a exemplo de quadros depressivos e ansiosos

Traços de impulsividade e busca contínua por recompensas sem demora

Influências no meio social e cultural que promovem uma visão romantizada do jogo

Convivência em contexto de solidão e isolamento social

Condições de vulnerabilidade social
Com informações da Agência Brasil.

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