Mais de R$ 6,2 bilhões esquecidos em bancos; saiba quem pode receber e como consultar sistema do BC

O montante de dinheiro esquecido por cidadãos e corporações em instituições financeiras passou por uma redução expressiva. No balanço mais recente divulgado pelo Banco Central (BC), o saldo disponível para saques recuou para R$ 6,24 bilhões. O recuo acentuado ocorre após o repasse de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), estrutura utilizada como suporte financeiro para o programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil.

Essa movimentação de recursos foi respaldada pela Lei 14.973/2024, que permitiu o recolhimento de quantias que não foram reclamadas pelos titulares dentro dos prazos estipulados pela administração federal. No momento, o Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha o procedimento para averiguar os critérios técnicos do uso dessas verbas fora do Orçamento tradicional. Apesar da transferência bilionária, a autoridade monetária assegura que uma reserva de pelo menos 10% do valor repassado foi mantida para honrar eventuais saques tardios, e que uma fortuna expressiva continua disponível à espera de resgate.

Do saldo remanescente de R$ 6,24 bilhões, a maior parte está vinculada a CPFs. São R$ 4,44 bilhões pertencentes a 24,08 milhões de pessoas físicas. No segmento corporativo, cerca de 2,27 milhões de empresas têm direito a uma fatia que soma R$ 1,8 bilhão. O histórico do Sistema de Valores a Receber (SVR) aponta que mais de R$ 15,47 bilhões já retornaram aos seus donos originais desde o início das operações da ferramenta.

Saiba quem tem direito aos valores retidos no sistema financeiro
A possibilidade de reaver fundos abrange qualquer cidadão ou pessoa jurídica que manteve transações comerciais e contas ativas em bancos tradicionais, cooperativas de crédito, administradoras de consórcios, corretoras, distribuidoras de títulos e instituições de pagamento.

Os valores pendentes de devolução pelas instituições são originados por motivos diversos, incluindo:
Saldos remanescentes em contas-correntes ou cadernetas de poupança que foram encerradas;

Cobranças indevidas de tarifas bancárias e taxas administrativas;

Parcelas de financiamentos ou empréstimos quitadas em excesso;

Encerramento de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas com crédito disponível;

Rateio de recursos de grupos de consórcio que já foram finalizados;

Cotas de capital e sobras de participantes de cooperativas de crédito;

Recursos remanescentes em contas de investimentos desativadas.

Embora o montante global seja elevado, a base estatística do Banco Central sinaliza que a maior parcela dos beneficiários possui direito a quantias modestas. Cerca de 67,6% dos correntistas têm até R$ 10 para sacar; 19,5% registram saldos entre R$ 10,01 e R$ 100; uma fatia de 10,4% detém valores de R$ 100,01 a R$ 1.000; e apenas 2,46% do público elegível possui mais de R$ 1.000 disponíveis para transferência imediata. Os bancos comerciais concentram o maior volume de retenção, com R$ 2,91 bilhões, seguidos de perto pelas empresas de consórcio, que somam R$ 2,25 bilhões.

Passo a passo para consultar e realizar o saque dos recursos
A verificação de saldos é totalmente gratuita e deve ser realizada de forma exclusiva pelo portal oficial do Sistema de Valores a Receber (SVR) mantido pelo Banco Central. O cidadão deve acessar a plataforma digital do SVR e digitar o número do CPF ou CNPJ acompanhado da data de nascimento ou de abertura da empresa para verificar a existência de saldo em seu nome.

Caso o sistema aponte saldo positivo, o usuário precisará efetuar a autenticação eletrônica utilizando uma conta Gov.br, que deve possuir obrigatoriamente o nível de segurança prata ou ouro. Após o login, basta seguir as diretrizes internas da página para solicitar a transferência. Aqueles que utilizam o CPF como chave Pix no seu banco habitual contam com o recurso de resgate automático e podem habilitar uma função que transfere diretamente e sem burocracia novos saldos identificados no futuro, embora essa ferramenta automatizada ainda não esteja liberada para contas corporativas ou contas conjuntas. Para quem não utiliza chaves Pix, o recebimento deve ser combinado diretamente com o banco responsável pelo dinheiro.

O sistema também possibilita a pesquisa e o resgate de patrimônio financeiro de pessoas falecidas. Nessa circunstância, herdeiros legítimos, inventariantes, representantes legais ou testamentários devidamente constituídos podem efetuar a busca utilizando suas próprias credenciais do Gov.br. Após preencher um termo de responsabilidade civil na plataforma e identificar a origem dos recursos do parente falecido, o interessado deve entrar em contato direto com os canais de atendimento da respectiva instituição bancária para apresentar os documentos comprobatórios e finalizar a liberação da quantia. Com informações da Agência Brasil

PUBLICIDADE
[wp_bannerize_pro id="valenoticias"]
Don`t copy text!