Glaucoma e o perigo silencioso que exige exames periódicos para evitar a cegueira definitiva
A saúde dos olhos necessita de atenção preventiva constante, principalmente diante de enfermidades que se desenvolvem de forma assintomática. Com o objetivo de conscientizar a população, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) emitiu um alerta sobre a importância de consultas regulares para a identificação do glaucoma. Por se tratar de uma patologia que avança sem manifestar sinais evidentes, a falta de acompanhamento médico e de cuidados adequados pode resultar na perda total e irreversível da capacidade visual.
Para combater esse problema, o governo estadual estruturou a Rede de Atenção em Oftalmologia, que disponibiliza assistência integral e gratuita por meio do sistema público de saúde. O investimento anual direcionado a essa área gira em torno de R$ 67 milhões, verba aplicada no custeio de exames especializados, consultas, cirurgias, intervenções plásticas na região ocular, procedimentos de urgência e no fornecimento de colírios específicos para os pacientes integrados ao programa de cuidados.
As características de uma patologia que avança sem dar sinais
O glaucoma consiste em um conjunto de condições que danificam progressivamente o nervo óptico, o canal encarregado de enviar os estímulos visuais captados pelos olhos até o cérebro. Na grande maioria das ocorrências, a evolução do quadro está diretamente ligada ao aumento da pressão interna do olho.
A médica da Coordenação de Alta Complexidade Ambulatorial da SES-MG, Márcia Salomão Libânio, adverte que a ausência de sintomas perceptíveis mascara a gravidade da situação. Durante o desenvolvimento inicial da enfermidade, o paciente não apresenta vermelhidão, coceira ou visão embaçada. O dano acontece de maneira gradual, reduzindo o campo de visão sem que a pessoa note a alteração, o que torna o diagnóstico preventivo a única barreira eficiente contra a perda da vista.
Fatores de risco e o balanço dos atendimentos no estado
Estatísticas globais e nacionais apontam que o glaucoma atinge cerca de 3% das pessoas que possuem mais de 40 anos, e a probabilidade de desenvolver a condição se eleva com o avanço da idade. Além do envelhecimento e da pressão intraocular alta, existem outros elementos que demandam vigilância, como a herança genética familiar, etnia, diagnóstico de diabetes, o uso prolongado de medicamentos à base de corticoides e anomalias na estrutura dos olhos.
Embora o acompanhamento estatístico direto seja limitado pelo fato de o glaucoma não ser uma doença de notificação obrigatória, os registros de atendimento demonstram a alta procura pelo serviço em Minas Gerais. Entre o início de 2025 e o mês de março de 2026, a rede de saúde estadual contabilizou a realização de 115.869 consultas voltadas tanto para a descoberta de novos casos quanto para a reavaliação de pacientes já diagnosticados. Márcia Libânio recorda ainda que, apesar de ser mais frequente em adultos, a patologia também pode afetar bebês e crianças, reforçando a recomendação de que todas as faixas etárias passem por triagem oftalmológica.
Caminho de acolhimento e terapias na rede pública mineira
Atualmente, o território mineiro dispõe de mais de 40 centros credenciados e preparados para realizar o diagnóstico e conduzir o tratamento de pacientes com a doença. O fluxo de atendimento do cidadão tem início na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Caso o clínico geral ou o médico da família identifique a necessidade, o usuário é direcionado para a avaliação com especialistas, respeitando os critérios de regulação de cada município.
Mesmo se tratando de uma disfunção crônica e que não possui cura definitiva, o glaucoma pode ser estabilizado com sucesso se houver monitoramento contínuo. Dependendo do estágio de evolução e da gravidade de cada caso, a abordagem terapêutica envolve a aplicação diária de colírios, tratamentos realizados com tecnologia a laser ou procedimentos cirúrgicos. Quando a operação se faz necessária, a fila de espera é gerenciada localmente, priorizando os pacientes com quadros de maior gravidade. A linha de cuidado garante o acesso a exames minuciosos, como a medição da pressão ocular (tonometria), exames de fundo de olho (fundoscopia), além de campimetria, gonioscopia e retinografia. Com informações da Agência Minas

