Drones monitoram áreas urbanas e mapeia milhares de pontos de risco do mosquito transmissor da Dengue

O enfrentamento às arboviroses em território mineiro ganhou um forte aliado tecnológico com a consolidação da política VigiDrones, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A estratégia, que utiliza Veículos Aéreos Não Tripulados para rastrear focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti, finalizou o seu segundo ciclo de operação. Ao todo, a iniciativa já realizou o imageamento de uma extensão territorial que abrange cerca de 497 mil hectares de áreas urbanas e resultou no mapeamento detalhado de mais de 334 mil pontos considerados de interesse para a vigilância sanitária.

Para viabilizar o projeto, o governo estadual realizou um aporte financeiro de aproximadamente R$ 30 milhões. Os planos de voo e a frequência das operações são definidos de forma estratégica, levando em consideração os dados e indicadores epidemiológicos específicos de cada localidade. A utilização de ferramentas inovadoras tem posicionado o estado como referência no cenário nacional, colaborando diretamente para o controle de enfermidades como a dengue, zika e chikungunya, além de auxiliar Minas Gerais a atingir o menor índice de letalidade por essas doenças em toda a sua série histórica.

Eficiência no tratamento de criadouros de difícil acesso
A grande vantagem competitiva dos drones reside na capacidade de visualizar focos de água retida em locais elevados ou de acesso complexo para as equipes de solo. As aeronaves também são empregadas na aplicação direcionada de larvicida para extinguir as larvas do vetor antes que cheguem à fase adulta, potencializando a cobertura das equipes tradicionais de saúde.

Na macrorregião de Saúde do Jequitinhonha, área de cobertura da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Diamantina e pioneira no uso da tecnologia, os trabalhos técnicos foram concluídos com a adesão de 31 municípios. Nessa região específica, o monitoramento cobriu em torno de 11 mil hectares urbanos e catalogou acima de 18 mil pontos de atenção. Diante do êxito operacional, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Jequitinhonha (Cisaje) já sinalizou o interesse em prorrogar o vínculo cooperativo.

No cotidiano das cidades, a captação de imagens de alta resolução conferiu maior precisão ao mapeamento epidemiológico, sobretudo em imóveis vazios ou trancados. A apresentação dos registros aéreos aos moradores serve como argumento factual sobre as condições de suas propriedades, otimizando as vistorias domiciliares e elevando o nível de aceitação e colaboração pública. Até o momento, os municípios daquela região solucionaram ou extinguiram 5.214 focos, aplicaram tratamento em 1.472 locais, mantêm 3.186 pontos sob vigilância constante e desclassificaram outros 1.125.

Acúmulo de entulho e armazenamento inadequado lideram estatísticas
As informações georreferenciadas coletadas no Vale do Jequitinhonha deixam claro que os principais gargalos na contenção do mosquito estão diretamente associados à destinação incorreta de resíduos e a falhas na guarda de recursos hídricos. O descarte incorreto de materiais como lixo doméstico, sucatas industriais, plásticos e entulhos de construção civil desponta no topo das estatísticas regionais, somando 7.496 registros e representando 40,5% de todas as ocorrências mapeadas.

Abaixo do descarte de resíduos, os analistas identificaram o risco latente em depósitos ao nível do solo, como tonéis, tambores e barris de captação (3.280 ocorrências). A listagem de ameaças inclui recipientes variados e lajes sem escoamento (3.030), fontes ornamentais e piscinas (2.017), caixas d’água instaladas em pontos elevados (1.579) e descarte inadequado de pneus (590).

Para conter o avanço das arboviroses de maneira integrada, a gestão estadual preserva um cronograma contínuo de intervenções que englobam desde o suporte às equipes locais e o incremento na capacidade de realização de exames diagnósticos até o monitoramento remoto e o emprego de metodologias biológicas consagradas, como o método Wolbachia. Com informações da Agência Minas

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