Brasil protagoniza queda histórica no desmatamento e lidera redução de perdas florestais no mundo
O Brasil encerrou o ano de 2025 com uma notícia alentadora para a agenda climática global. De acordo com o mais recente levantamento do Global Forest Watch, desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI), o país registrou uma redução de 42% na perda de florestas tropicais primárias em comparação ao ano anterior. Ao todo, foram preservados 1,6 milhão de hectares de vegetação madura, o menor índice de derrubadas não relacionadas a incêndios desde o início do monitoramento, em 2001.
Essa retração brasileira foi o principal motor para a melhora dos índices ambientais em todo o planeta. A queda acentuada reflete o sucesso de políticas de fiscalização e conservação, especialmente em áreas onde a supressão vegetal ocorre por corte raso ou desmatamento ilegal. Estados como Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima foram os grandes destaques, respondendo por quase metade da redução observada em território nacional.
Esforço conjunto e novas estratégias de preservação
Para os especialistas do WRI Brasil, o resultado positivo é fruto de uma mobilização que envolveu diversos setores da sociedade. Além da repressão ao crime ambiental, o país avançou em frentes econômicas e tecnológicas, como a intensificação da produção agropecuária em terras já degradadas, evitando a abertura de novas fronteiras na floresta.
Iniciativas inovadoras também ganharam corpo no último ano, incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e mecanismos de remuneração por serviços ambientais. Segundo Mirela Sandrini, diretora do WRI Brasil, esses incentivos fiscais e financeiros para quem mantém a floresta em pé são fundamentais para que o país se consolide como líder em segurança climática e alimentar na próxima década.
Alinhamento de dados e monitoramento global
Embora o sistema Global Forest Watch utilize critérios distintos do monitoramento oficial brasileiro (Prodes) — ao considerar também mortes naturais de árvores e cortes seletivos —, ambos os modelos convergem para o mesmo diagnóstico: o declínio consistente do desmatamento. A melhora não ficou restrita à Amazônia; biomas como a Caatinga, no Nordeste, também apresentaram redução na perda de cobertura verde.
No cenário mundial, a perda de florestas tropicais úmidas caiu 35% em 2025, totalizando 4,3 milhões de hectares. No entanto, apesar do avanço do Brasil, o país ainda detém a maior extensão de área perdida em números absolutos (37% do total global), seguido por Bolívia e República Democrática do Congo.
O desafio persistente dos incêndios e as metas para 2030
Se por um lado o combate ao desmate direto avançou, por outro, o fogo continua sendo a maior ameaça às florestas tropicais. Globalmente, os incêndios florestais causam hoje o dobro de perdas registradas há duas décadas. No Brasil e no mundo, a fumaça de grandes queimadas muitas vezes impede a detecção imediata pelos satélites, o que exige revisões constantes dos dados.
Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, alerta que, embora os números de 2025 sejam positivos, a humanidade ainda está longe de cumprir o pacto de reverter a perda florestal até 2030. Atualmente, os índices globais de destruição estão 70% acima do necessário para atingir essa meta. O crescimento da demanda por alimentos e combustíveis, somado à maior vulnerabilidade das matas às mudanças climáticas, impõe um desafio contínuo para a preservação dos biomas brasileiros e mundiais. Com informações da Agência Brasil


