Fim da escala 6×1 na Europa não abalou economia e manteve postos de trabalho, diz estudo
Enquanto o Brasil debate o fim da escala 6×1, um levantamento detalhado sobre experiências internacionais traz novos elementos para a discussão. Um estudo científico publicado pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA), da Alemanha, revelou que a redução da carga horária semanal não resultou em queda do Produto Interno Bruto (PIB) nem no fechamento de vagas de emprego em cinco países europeus que adotaram reformas trabalhistas entre as décadas de 1990 e 2000.
Análise de casos práticos na Europa
A pesquisa, conduzida pelos especialistas Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini, concentrou-se nas reformas aplicadas na França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia entre os anos de 1995 e 2007. O recorte temporal foi escolhido estrategicamente para evitar as oscilações econômicas provocadas pela crise financeira global de 2008, garantindo que os dados refletissem apenas o impacto das mudanças na jornada.
Ao examinar 32 setores econômicos, o estudo concluiu que esses países conseguiram manter um crescimento do PIB “relativamente robusto” mesmo após a redução do tempo de serviço. Setores com alta incidência de trabalhadores autônomos ou públicos, como agricultura e saúde, foram deixados de fora para evitar distorções nos resultados.
Impactos sobre o emprego e custos operacionais
Diferente do que projetam algumas entidades patronais no cenário brasileiro, os pesquisadores não identificaram efeitos negativos significativos no nível de emprego decorrentes do aumento do custo da mão de obra por hora. A tese de que a redução da jornada sem o corte de salários levaria necessariamente a demissões em massa não encontrou sustentação nos dados europeus.
Por outro lado, o estudo também não validou a teoria da “partilha do trabalho”, que sugere que a redução de horas geraria automaticamente uma onda de novas contratações para suprir a lacuna produtiva. O que se observou foi uma absorção rápida dos novos custos operacionais pelo mercado, de forma muito semelhante ao que ocorre quando há um reajuste no salário mínimo.
Foco na produtividade e no bem-estar
Além dos indicadores puramente financeiros, a análise reforça que a jornada reduzida tem potencial para elevar o bem-estar social ao proporcionar mais tempo de lazer aos cidadãos, sem comprometer a estabilidade econômica.
Para as empresas, os benefícios podem aparecer na forma de eficiência. Os estudiosos apontam que jornadas excessivamente longas apresentam retornos decrescentes de produtividade. Assim, semanas de trabalho mais curtas podem auxiliar as companhias a atrair e reter talentos, além de estimular um ambiente de trabalho mais produtivo. Com informações da Agência Brasil

