Polícia Federal desarticula bilionário esquema de corrupção aduaneira no Rio de Janeiro
Uma ação conjunta entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal abalou as estruturas do Porto do Rio de Janeiro nesta terça-feira. A Operação Mare Liberum foi deflagrada para combater uma rede criminosa especializada em facilitar o contrabando e o descaminho, contando com a participação direta de servidores públicos e intermediários.
Ao todo, os agentes mobilizaram-se para cumprir 45 mandados de busca e apreensão em diversos pontos nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Por determinação judicial, 17 auditores fiscais e oito analistas tributários foram imediatamente afastados de suas funções. A operação também impôs bloqueios de bens e restrições às atividades profissionais de nove despachantes envolvidos.
Engrenagens da fraude e manipulação de fiscalização
As investigações, que ganharam corpo a partir de monitoramentos da Corregedoria da Receita Federal iniciados em 2022, revelaram um padrão sistêmico de irregularidades. O grupo operava mediante a manipulação deliberada dos controles aduaneiros: mercadorias que deveriam passar por conferências rigorosas (canais vermelho e cinza) eram desviadas e liberadas de forma ilícita, mesmo quando fiscais identificavam graves discrepâncias entre a carga real e o que constava na documentação.
O volume financeiro envolvido é expressivo. Estima-se que quase 17 mil Declarações de Importação tenham sido contaminadas pelo esquema, movimentando aproximadamente R$ 86,6 bilhões em produtos entre meados de 2021 e o início de 2026. Esta é considerada uma das maiores ações de combate à corrupção em alfândegas na história recente do país.
O rastro da propina e as sanções legais
A engrenagem criminosa era alimentada pelo pagamento sistemático de vantagens indevidas. Segundo o Fisco, as propinas destinadas aos servidores públicos alcançaram cifras na casa das dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado.
Os suspeitos agora enfrentam um processo judicial que abrange crimes como corrupção passiva e ativa, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro. Com informações da Agência Brasil
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