Expansão da pimenta-do-reino transforma o cenário agrícola no Nordeste mineiro
O cultivo da pimenta-do-reino ganha força nas áreas de clima mais quente de Minas Gerais, impulsionado pelas ações de fomento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). A atividade tem se consolidado como uma excelente alternativa para a diversificação de renda na agricultura familiar, com polos de produção já estabelecidos em municípios como Ataléia, Novo Oriente de Minas, Teófilo Otoni e Águas Formosas, situados nos vales do Mucuri e Jequitinhonha. Tradicionalmente, as famílias locais iniciaram o plantio em pequenas frações de terra como uma forma de complementar os ganhos obtidos com a pecuária ou com outras lavouras. O modelo se inspira no sucesso do Espírito Santo, vizinho que lidera o mercado brasileiro sendo responsável por cerca de 60% da colheita e das vendas externas da especiaria.
Estruturação técnica e busca por crédito rural
A excelente adaptação das plantas às altas temperaturas da região tem gerado otimismo entre os produtores locais. Para dar maior segurança jurídica e financeira aos agricultores, órgãos governamentais trabalham na estruturação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) voltado para a cultura. Essa ferramenta de mapeamento, desenvolvida pela Embrapa com o suporte de dados coletados pela Emater-MG e pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é enviada ao Ministério da Agricultura. O mecanismo é fundamental para prever e mitigar perdas decorrentes de variações do clima, funcionando também como critério obrigatório para que os produtores consigam acessar seguros e linhas de crédito nos bancos.
Capacitação e variações do mercado de especiarias
Com o objetivo de profissionalizar a cadeia produtiva, a Unidade Regional da Emater-MG em Teófilo Otoni realizou recentemente eventos de capacitação, como um simpósio e um Dia de Campo. Os encontros contaram com a colaboração de especialistas vindos da Emater-Pará e da empresa paraense Tropoc, que debateram técnicas de plantio, manejo adequado e estratégias de mercado. A oscilação de preços é uma característica da cultura: o quilo da pimenta-do-reino, que em momentos de crise severa caiu para R$ 7 e em períodos de pico atingiu R$ 40, encontra-se valorizado e comercializado na faixa de R$ 26. Diante dessa rentabilidade, produtores como Dionísia Jardim, que cultiva sete mil pés da planta em Ataléia há três anos, destacam que a especiaria demonstra uma adaptação regional superior à do próprio café.
Logística de exportação e planos de cooperativismo
Atualmente, o volume colhido nos vales do Mucuri e Jequitinhonha é transportado até o Espírito Santo, de onde segue para os exigentes mercados da Europa, das Américas e de nações da Ásia. O Brasil ocupa um papel de destaque no comércio global dessa commodity, posicionando-se como o segundo maior produtor do planeta, superado apenas pelo Vietnã, e exportando aproximadamente 90% de tudo o que colhe. As perspectivas de expansão local incluem o interesse de uma empresa nacional em instalar uma estrutura de armazenamento na região, transformando Teófilo Otoni em um polo logístico. Para o futuro, os agricultores mineiros planejam criar uma cooperativa própria, o que permitirá realizar vendas diretas ao exterior sem a necessidade de intermediários. Com informações da Agência Minas


