Petrobras aposta em ultrassom do fundo do mar para maximizar produção no pré-sal
A Petrobras, em conjunto com seus parceiros do Consórcio de Libra, anunciou um investimento vultoso de aproximadamente R$ 2,2 bilhões (US$ 450 milhões) para implementar o que está sendo chamado de o projeto de monitoramento sísmico mais abrangente do planeta. A iniciativa foca em tecnologia de ponta para realizar uma espécie de “ultrassom” do subsolo marinho, permitindo uma visão detalhada das estruturas geológicas e do fluxo de substâncias como óleo, gás e água em profundidades extremas.
O sistema de alta precisão será instalado no Campo de Mero, localizado na Bacia de Santos, uma das joias da coroa da produção nacional. Com o início da coleta de dados previsto para o segundo trimestre de 2026, a estatal espera transformar a maneira como gerencia seus reservatórios, garantindo uma extração mais inteligente e eficiente.
Tecnologia de ponta e infraestrutura submarina
O monitoramento será feito por meio do Sistema de Monitoramento de Reservatórios Permanente (PRM). Essa infraestrutura utiliza uma rede complexa de sensores e instrumentos ópticos instalados diretamente no leito do oceano. Na prática, os sensores enviam informações em tempo real sobre o comportamento dos fluidos, o que ajuda a entender como o reservatório reage à extração ao longo dos anos.
A magnitude do projeto impressiona pelos números: a primeira fase já conta com mais de 460 km de cabos ópticos instalados, cobrindo uma extensão de 222 km². Uma segunda etapa, prevista para ser finalizada em 2027, adicionará outros 316 km de cabos sismográficos, expandindo a vigilância para áreas atendidas por novas unidades de produção.
Eficiência operacional e inteligência artificial
Além do ganho técnico, a Petrobras destaca que o melhor gerenciamento dos campos permite aumentar a recuperação de petróleo sem elevar significativamente a emissão de gases, o que colabora para uma menor pegada de carbono por barril extraído. Inicialmente, os dados serão processados pelos computadores das plataformas (FPSOs), mas o plano é que, futuramente, as informações viajem por fibras ópticas diretamente para a sede da companhia.
O projeto conta ainda com um braço acadêmico. Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a petroleira utilizará algoritmos de Inteligência Artificial para analisar o fluxo contínuo de dados. Essa integração promete não apenas otimizar a produção, mas também elevar os padrões de segurança operacional e fomentar a pesquisa científica no setor.
Relevância estratégica do Campo de Mero
O Campo de Mero é um pilar estratégico para a energia do Brasil. Em janeiro de 2026, a área alcançou uma média impressionante de 680 mil barris diários. O novo monitoramento vai acompanhar as atividades das unidades flutuantes de produção (FPSOs) Guanabara, Sepetiba, Duque de Caxias e Alexandre de Gusmão.
A operação é liderada pela Petrobras no Bloco de Libra, em um consórcio que une gigantes globais como Shell, TotalEnergies, CNPC, CNOOC e a estatal PPSA, que representa a União no contrato de partilha. Com informações da Agência Brasil


