Greve das Galinhas e o impacto da Quaresma elevam o custo das proteínas em Minas Gerais
O período da Quaresma, tradição secular que atravessa gerações, está provocando uma reviravolta no mercado de alimentos neste início de 2026. A mudança nos hábitos de consumo, marcada pela substituição da carne vermelha, gerou uma pressão inflacionária sobre os substitutos diretos. O reflexo mais evidente está nas gôndolas: o preço dos ovos disparou em Minas Gerais, impulsionado por um fenômeno biológico e comercial que o setor apelidou curiosamente de “Greve das Galinhas”.
Entenda por que a Greve das Galinhas encarece o café da manhã
Diferente de uma paralisação trabalhista convencional, a “Greve das Galinhas” é um processo fisiológico das aves influenciado pelo clima. De acordo com especialistas da Avimig e Sinpamig, o forte calor registrado neste período do ano faz com que as galinhas reduzam a ingestão de ração. Como consequência natural, a produção de ovos cai no momento exato em que a demanda atinge o seu ápice anual.
Minas Gerais, que possui um plantel de 21 milhões de aves e produz 6 bilhões de ovos por ano, sente o peso dessa equação. Enquanto a produção sofre uma leve retração, a procura cresce gradualmente até a Semana Santa. O resultado é uma valorização expressiva: a caixa de ovos brancos extra, que custava R$ 139 em dezembro de 2025, saltou para R$ 188 em março — uma alta de 35%. No caso dos ovos vermelhos, o aumento foi ainda mais severo, chegando a 39%, com o preço atingindo a marca de R$ 210.
Carne bovina mantém preços elevados apesar da menor procura
Quem esperava que a redução no consumo de carne vermelha durante os 40 dias de resguardo resultasse em preços mais baixos pode se frustrar. Segundo o Sinduscarne, a recente valorização da arroba do boi gordo, que atingiu R$ 340 em fevereiro, anula qualquer possibilidade de recuo no valor final ao consumidor. Trata-se do maior patamar registrado desde o fim de 2024, criando uma barreira para descontos nas redes de varejo e açougues.
Além do boi, o peixe — o grande protagonista das mesas nesta época — também segue a tendência de alta. Estima-se que o pescado registre um aumento médio de 15% durante o período quaresmal, impulsionado pela tradição religiosa que concentra a demanda em poucas semanas.
Alternativas e comportamento do consumidor
Embora proteínas como o frango e a carne suína possam apresentar ajustes pontuais, o cenário geral é de cautela para o bolso do mineiro. O diretor técnico Gustavo Ribeiro reforça que o pico das vendas de ovos e peixes deve ocorrer nos dias que antecedem a Páscoa, variando conforme o poder de compra de cada região. Diante da alta dos ovos e da estabilidade cara da carne bovina, o consumidor tem buscado equilibrar o cardápio com opções que ofereçam o melhor custo-benefício proteico, mesmo em um cenário de custos elevados. Com informações da Assessoria de Comunicação da Federação das Indústrias de Minas Gerais

