Agronegócio defende ampliação da mistura de biodiesel para frear escalada no preço do diesel

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acionou formalmente o governo federal para solicitar um ajuste imediato na composição do diesel comercializado no país. A proposta sugere a elevação do percentual obrigatório de biodiesel de 15% para 17%. O objetivo central é criar um “colchão” de proteção contra a volatilidade do mercado internacional de petróleo, que vem sofrendo fortes pressões em decorrência do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Conflitos internacionais e a pressão sobre os custos logísticos
A preocupação da entidade fundamenta-se na alta recente do petróleo tipo Brent, que já ultrapassou a marca dos US$ 84, acumulando uma valorização de cerca de 20% em poucos dias. Em ofício enviado ao Ministério de Minas e Energia, o presidente da CNA, João Martins da Silva, relembrou crises anteriores, como o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, que gerou repasses superiores a 20% nas bombas. Para o setor produtivo, fortalecer o componente renovável — o B17 — é uma estratégia de segurança energética para diminuir a dependência de importações e evitar que a inflação dos combustíveis asfixie o transporte nacional.

Impacto direto na safra e no bolso do produtor
A variação no preço do combustível ocorre em um momento crítico para o campo, coincidindo com a colheita da primeira safra e o planejamento da segunda. Relatos de produtores indicam que o litro do diesel já sofreu reajustes de até R$ 1 em algumas regiões, impactando severamente os custos de produção. A CNA argumenta que, ao elevar a participação do biocombustível, as distribuidoras e postos teriam maior margem para absorver as oscilações do mercado externo, protegendo o consumidor final de aumentos abusivos durante o escoamento da produção agrícola.

Brasil tem oferta recorde de matéria prima para o B17
Diferente de anos anteriores, o cenário atual é favorável à expansão do biodiesel devido à expectativa de uma safra recorde de soja, que é o principal insumo do setor. Com a ampla disponibilidade do grão e preços mais estabilizados no mercado interno, a CNA garante que a indústria nacional tem plena capacidade de atender ao aumento da demanda. A entidade também reforçou que a transição para o B16, prevista para este mês, ainda não saiu do papel, tornando urgente a discussão de um salto maior para garantir a competitividade do país frente aos desafios globais de 2026. Com informações da Agência Brasil

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