Cade dá sinal verde para aporte milionário da United Airlines na Azul

O cenário da aviação civil brasileira passou por uma importante definição regulatória nesta semana. O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por decisão unânime, o aumento da participação da gigante estadunidense United Airlines na Azul Linhas Aéreas. Com a autorização, a United injetará US$ 100 milhões na companhia brasileira, elevando sua fatia no capital social de 2,02% para cerca de 8%.

A operação é peça-chave no plano de reestruturação financeira da Azul, que tramita na justiça dos Estados Unidos sob o rito do Chapter 11. Esse mecanismo de recuperação judicial permite que a empresa reorganize suas contas e negocie débitos com credores sem interromper suas operações diárias, garantindo a manutenção dos serviços aos passageiros.

Governança rigorosa para evitar riscos ao mercado
Apesar da aprovação, o tribunal antitruste não deixou de estabelecer alertas importantes. O relator do caso, conselheiro Diogo Thomson, enfatizou que a validade do negócio está atrelada ao cumprimento de rígidas normas de compliance. O objetivo principal é impedir que a United tenha acesso a dados comerciais sensíveis que possam comprometer a livre concorrência entre as empresas do setor.

Para mitigar esses riscos, o novo Estatuto Social da Azul incluiu salvaguardas que restringem o compartilhamento de informações estratégicas e disciplinam possíveis conflitos de interesse. Segundo o relator, essas medidas são suficientes para proteger o mercado no momento atual, mas o órgão monitorará de perto o cumprimento dessas premissas.

A polêmica do entrelaçamento estratégico
O processo chegou ao plenário após um recurso do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo), que demonstrou preocupação com as conexões da United no setor. A entidade destacou que a companhia americana também possui participação na holding Abra, que controla a Gol, o que poderia criar um cenário de influência cruzada.

O relator Diogo Thomson pontuou que qualquer movimento futuro que envolva a entrada de outros players, como a American Airlines, ou o aumento da influência política da United na Azul, deverá ser obrigatoriamente submetido a uma nova análise do Cade. A presidente do IPSConsumo, Juliana Pereira, reforçou que a autorização atual possui pressupostos claros de vedação à troca de informações sensíveis, e qualquer desvio poderá levar à revisão da decisão.

Fôlego financeiro e retomada do crescimento
Para a Azul, a aprovação do aporte de US$ 100 milhões representa um alívio fundamental. Durante o processo, a aérea brasileira alertou que a demora na análise trazia riscos severos à sua continuidade operacional e saúde financeira. O plano global de recuperação da companhia prevê a captação total de, no mínimo, US$ 850 milhões para que a empresa saia definitivamente do processo de recuperação judicial.

Com a conclusão desta etapa, a expectativa da Azul é fortalecer sua posição competitiva, retomar a capacidade operacional plena e expandir a malha de voos tanto no mercado doméstico quanto nas rotas internacionais. O fortalecimento da companhia é visto como essencial para manter o dinamismo e a oferta de serviços no setor aéreo nacional. Com informações da Agência Brasil

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