Justiça suspende operações da Vale após vazamentos em Congonhas e Ouro Preto, atingindo afluentes do Rio Paraopeba

A mineradora Vale sofreu um duro golpe judicial na sexta-feira (6). O Poder Judiciário mineiro ordenou a interrupção imediata de todos os trabalhos no Complexo Minerário de Fábrica, situado em Ouro Preto. A medida drástica responde ao vazamento de água e detritos ocorrido em 25 de janeiro, data que carrega um peso simbólico para o setor, e visa conter a degradação ambiental na região.

Impactos ambientais e falhas operacionais
O incidente, originado por um defeito no sistema de drenagem de uma das cavas, resultou no despejo de 263 mil metros cúbicos de resíduos minerais. Essa massa de água turva e minério percorreu um caminho destrutivo, provocando o assoreamento de córregos e a devastação da flora local. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o material atingiu afluentes que alimentam o Rio Paraopeba, passando por áreas urbanas de Congonhas e afetando até estruturas de terceiros, como a mineradora CSN.

Um dos pontos mais críticos levantados pelo MP é a negligência na comunicação. A Vale teria levado dez horas para notificar os órgãos competentes sobre o vazamento, atrasando severamente a mobilização da Defesa Civil e a contenção dos danos.

Rigor nas sanções e exigências de segurança
A retomada das atividades está condicionada à apresentação de laudos técnicos incontestáveis que garantam a estabilidade total e a segurança operacional do complexo. Para assegurar o cumprimento da ordem, a Justiça estabeleceu uma multa diária que varia de R$ 100 mil a R$ 10 milhões.

Além da esfera estadual, o Ministério Público Federal (MPF) entrou na disputa jurídica com um pedido de bloqueio de ativos superior a R$ 1 bilhão. O montante serviria como garantia para o ressarcimento integral dos prejuízos materiais e a recuperação dos ecossistemas atingidos.

Reação da mineradora e cenário atual
Em nota, a Vale comunicou que as atividades nas minas de Fábrica e Viga já haviam sido interrompidas voluntariamente e por conta da suspensão de alvarás pela prefeitura de Congonhas. A companhia defendeu que suas barragens permanecem estáveis sob monitoramento ininterrupto e afirmou que prestará suporte total às investigações.

O evento reacende o trauma na bacia do Paraopeba, o mesmo rio castigado pela tragédia de Brumadinho há exatamente sete anos, reforçando a pressão sobre a segurança da mineração no estado. Com informações da Agência Brasil

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