Saques na caderneta de poupança superam depósitos em R$ 23,5 bilhões no início do ano
A caderneta de poupança, investimento mais tradicional do brasileiro, começou 2026 enfrentando uma forte onda de retiradas. Segundo dados consolidados pelo Banco Central (BC), o mês de janeiro registrou uma saída líquida de R$ 23,5 bilhões. O movimento reflete um comportamento recorrente nos últimos anos, em que as famílias brasileiras têm buscado alternativas mais rentáveis ou utilizado as reservas para quitar compromissos financeiros de início de ano.
O volume total de depósitos no período somou R$ 331,2 bilhões, mas não foi suficiente para cobrir os R$ 354,7 bilhões que os poupadores sacaram de suas contas. Apesar da redução no estoque, os rendimentos creditados somaram R$ 6,4 bilhões, mantendo o saldo total da aplicação no patamar de pouco mais de R$ 1 trilhão.
Juros altos e o impacto na rentabilidade da caderneta
O principal motor desse esvaziamento da poupança é a manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Atualmente fixada em 15% ao ano, a taxa básica de juros torna a poupança menos competitiva quando comparada a outros investimentos de renda fixa, que oferecem retornos mais atraentes sob as mesmas condições de mercado.
Desde julho do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de elevações, mas optou por manter o custo do dinheiro alto para conter a inflação. O objetivo do Banco Central é garantir que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convirja para a meta de 3%. Em 2025, a inflação oficial fechou em 4,26%, pressionada no último mês do ano pelo encarecimento de passagens aéreas e serviços de transporte por aplicativo.
Um histórico de perdas e a perspectiva de novos cortes
O resultado de janeiro dá continuidade a uma tendência de desidratação da poupança observada nos últimos calendários. Para se ter uma ideia da magnitude das retiradas, em 2023 o saldo negativo foi de R$ 87,8 bilhões, seguido por R$ 15,5 bilhões em 2024 e um expressivo recuo de R$ 85,6 bilhões no ano passado.
No entanto, o cenário pode começar a mudar no final do primeiro trimestre. Em sua ata mais recente, o Banco Central confirmou que deve iniciar o ciclo de redução da Selic na reunião de março. Embora a autarquia não tenha sinalizado o tamanho do corte inicial e reforce que os juros permanecerão em níveis restritivos por algum tempo, o “desaperto” monetário pode, gradualmente, diminuir a discrepância de rendimento entre a caderneta e seus concorrentes diretos no mercado financeiro. Com informações da Agência Brasil

