Exportações do Brasil para os EUA caíram 6,6% em 2025 devido ao tarifaço de Trump
O cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos enfrentou turbulências significativas ao longo de 2025, sentindo o impacto direto das políticas protecionistas da gestão de Donald Trump. Dados divulgados ontem (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelam que as vendas brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 6,6%, fechando o ano em US$ 37,7 bilhões. Em contrapartida, as compras de produtos vindos dos EUA saltaram 11,3%, resultando em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.
O recuo é atribuído ao chamado “tarifaço”, uma série de sobretaxas impostas pelo governo republicano. Embora Washington tenha retirado, em novembro, a alíquota adicional de 40% de parte da pauta brasileira, o alívio foi parcial. Atualmente, 22% das exportações nacionais — o equivalente a US$ 8,9 bilhões — permanecem sob o peso de tarifas elevadas, enquanto apenas 36% das vendas brasileiras ao país estão totalmente isentas de encargos extras.
Resistência em dezembro e o peso da Seção 232
Nem mesmo a flexibilização parcial de novembro foi suficiente para reverter a tendência de queda no curto prazo. Dezembro registrou a quinta baixa consecutiva nas exportações para os EUA, com um recuo de 7,2% em comparação ao mesmo mês de 2024.
Um dos maiores obstáculos continua sendo a Seção 232 da legislação norte-americana, que aplica tarifas sobre produtos considerados ameaças à segurança nacional dos EUA. Cerca de US$ 10,9 bilhões das vendas brasileiras estão retidos por essa norma, afetando setores estratégicos da indústria nacional que buscam espaço no mercado estadunidense.
Diplomacia e a aposta em novas frentes de investimento
Apesar dos números negativos na balança bilateral, o governo brasileiro mantém uma postura de diálogo. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin destacou que a estratégia da gestão Lula é baseada na negociação direta com Washington para reduzir o número de itens sobretaxados. Alckmin ressaltou que a relação pessoal entre os presidentes Lula e Trump pode destravar parcerias em áreas inovadoras.
O ministro mencionou que o Brasil pode ser um parceiro chave no setor de datacenters e terras raras, aproveitando a oferta de energia renovável e abundante do país. A expectativa é que, além das questões tarifárias, o avanço do regime especial Redata atraia novos investimentos norte-americanos para o território brasileiro, criando uma agenda de “ganha-ganha”.
China e União Europeia compensam perdas no comércio exterior
Se o caminho para os Estados Unidos ficou mais difícil, o Brasil encontrou fôlego em outros mercados globais. A China consolidou-se ainda mais como o principal parceiro comercial, com as exportações brasileiras para o país asiático crescendo 6% e atingindo a marca histórica de US$ 100 bilhões. O saldo positivo com os chineses foi de US$ 29 bilhões, ajudando a equilibrar as contas nacionais.
A União Europeia também apresentou crescimento, com alta de 3,2% nas exportações totais de 2025. Um dado curioso ocorreu em dezembro: mesmo com o adiamento da assinatura do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu, as vendas brasileiras para a região dispararam 39% em relação ao mesmo mês do ano anterior, demonstrando que a demanda externa por produtos brasileiros segue resiliente em diversas partes do mundo. Com informações da Agência Brasil

