Pesquisa inédita revela que São Paulo possui mais de 12 mil trabalhadores ambulantes
Um levantamento inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou a face de quem movimenta a economia das calçadas em São Paulo. A capital paulista abriga hoje pelo menos 12.671 trabalhadores ambulantes, distribuídos em mais de 12 mil pontos de venda fixos. O estudo traça um perfil de sobrevivência marcado por longas jornadas e baixa remuneração, evidenciando que a atividade, longe de ser um bico passageiro, é a única fonte de sustento para 80% desses profissionais.
Perfil demográfico e a força da imigração
O comércio de rua em São Paulo é predominantemente masculino (63%) e composto por adultos entre 31 e 50 anos. A diversidade racial é um ponto central: 53% dos trabalhadores se declaram pretos ou pardos, enquanto 10% se identificam como indígenas — grupo que inclui uma forte presença de imigrantes sul-americanos, como peruanos e venezuelanos. Aliás, o componente estrangeiro é vital para entender esse mercado, já que quase um terço dos ambulantes (31%) veio de outros países, representando 30 nacionalidades diferentes. Esse grupo enfrenta condições ainda mais precárias de trabalho e integração.
Abismo salarial e jornadas exaustivas
Os números do Dieese expõem a desigualdade profunda entre o comércio de rua e o mercado formal. Enquanto a média salarial dos trabalhadores ocupados na capital é de R$ 5.323,04, os ambulantes ganham, em média, R$ 3 mil — apenas 56% do rendimento geral. Para alcançar esse valor, muitos sacrificam o descanso: 44% da categoria trabalha mais de 44 horas semanais, sendo que quase 30% chegam a ultrapassar as 51 horas de labor por semana.
O desafio da formalização e a falta de alvarás
A informalidade é a regra e não a exceção. Apenas 39% dos vendedores possuem a permissão oficial da prefeitura para ocupar o espaço público. Dos 56% que atuam sem autorização, a esmagadora maioria (80%) manifestou o desejo de se regularizar, mas aponta a burocracia, o custo elevado e a má localização dos pontos oferecidos pelo Poder Público como os principais impedimentos. Mesmo sob o risco de fiscalização e sem garantias trabalhistas — apenas 2% possuem carteira assinada —, 73% dos entrevistados afirmaram que não pretendem mudar de profissão, reforçando que o comércio ambulante é um ofício de longo prazo para quem o exerce.
O que se vende nas ruas de São Paulo
O vestuário domina as vendas nas calçadas, correspondendo a 55% das mercadorias comercializadas. O setor de alimentação também é expressivo, com 14% de produtos para consumo imediato. A lista segue com eletrônicos, bebidas e miudezas, concentrados principalmente em áreas de grande fluxo, como terminais de transporte, unidades de saúde e agências de serviços públicos. O mapeamento do Dieese serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas que reconheçam o valor econômico desse setor e ofereçam condições de trabalho mais dignas para quem dedica a vida ao asfalto. Com informações da Agência Brasil


