Folia de Reis celebra o encontro de culturas e encerra o ciclo natalino no Brasil
O Brasil se veste de cores, fitas e sons para celebrar o Dia de Reis, nesta terça-feira, 6 de janeiro. A data, que marca uma das tradições mais ricas e longevas do calendário popular brasileiro, simboliza o momento em que os reis magos — Baltazar, Belchior e Gaspar — teriam chegado a Belém para entregar ouro, incenso e mirra ao recém-nascido Jesus. Mais do que uma efeméride religiosa, a celebração é uma manifestação artística que mobiliza comunidades inteiras, unindo fé, música e o espírito de solidariedade.
Simbolismo da renovação e o adeus ao natal
Para os devotos e entusiastas da cultura popular, o 6 de janeiro representa o ponto final das festividades de fim de ano. É neste dia que, tradicionalmente, são desmontados os presépios, as árvores de Natal e as decorações das casas e espaços públicos. Em Pernambuco, por exemplo, a tradição ganha um contorno especial com a “Queima da Lapinha”, um ritual simbólico onde as palhas do presépio são queimadas para dar lugar à renovação e, em muitas cidades, abrir caminho para os primeiros acordes do Carnaval.
A jornada das folias pelo território nacional
Trazida de Portugal durante o período colonial, a Folia de Reis — também conhecida como Reisado, Terno de Reis ou Guerreiros — ramificou-se em diferentes estilos de acordo com a região. Caracterizada por grupos de cantadores e instrumentistas que utilizam sanfonas, violas e instrumentos de percussão, a manifestação percorre as ruas visitando casas de devotos em busca de donativos para os necessitados ou para o cumprimento de promessas.
Minas Gerais: O estado é um dos maiores baluartes da tradição, com mais de 1,6 mil grupos cadastrados pelo Iepha. Desde 2017, as folias mineiras são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do estado.
Piauí: Na cidade de Boa Hora, o Festival de Reisado é um espetáculo à parte, com competições entre grupos como o Boi Maravilha e o Boi Estrela, culminando no tradicional ritual da “morte do boi”.
Maranhão: Em Caxias, a Praça da Matriz torna-se palco para diversos folguedos, como o Reisado Mirim e o Encanto dos Corais, mantendo viva a chama da ancestralidade.
Rio Grande do Norte: Na capital Natal, a celebração é marcada por uma série de missas e uma grande procissão que percorre as ruas do bairro de Santos Reis.
O reconhecimento como patrimônio e identidade
A força das Folias de Reis é tamanha que existem diversos processos abertos no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o reconhecimento federal dessas manifestações nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. No Rio, grupos em cidades como Angra dos Reis, Petrópolis e Paraty mantêm a identidade fluminense viva através dos versos. Já em São Paulo, o interior paulista, especialmente as regiões de Ourinhos e Assis, destaca-se pela preservação da memória e das identidades locais por meio das “Bandeiras”.
Essa rede de saberes e práticas reafirma o papel pedagógico das festas populares, que transmitem valores de espiritualidade e realeza de geração em geração, garantindo que o “avesso da história” continue sendo contado através das vozes dos cantadores de Reis. Com informações da Agência Brasil

