Giro econômico: novo salário mínimo promete injetar mais de R$ 81 bilhões no mercado
O ano de 2026 começará com um reforço significativo no poder de compra de milhões de brasileiros. Segundo projeções do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a atualização do salário mínimo para R$ 1.621 deve gerar uma circulação adicional de R$ 81,7 bilhões na economia nacional. O novo piso, que entra em vigor em 1º de janeiro, impactará não apenas o consumo das famílias, mas também a arrecadação tributária e a dinâmica do comércio local.
Milhões de brasileiros beneficiados pelo reajuste
A magnitude do impacto social é traduzida em números: cerca de 61,9 milhões de cidadãos terão sua renda ajustada com base no novo valor. A maior fatia deste grupo é composta por beneficiários do INSS, somando 29,3 milhões de aposentados e pensionistas. Além deles, o reajuste alcança 17,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 10,7 milhões de autônomos, quase 4 milhões de empregados domésticos e centenas de milhares de microempregadores. Para esses grupos, o acréscimo nominal de R$ 103 representa um alento no orçamento doméstico.
O peso nas contas públicas e o desafio fiscal
Se por um lado o incremento na renda estimula a economia, por outro, ele impõe desafios severos à gestão do orçamento da União. O Dieese estima que o reajuste elevará os gastos da Previdência Social em R$ 39,1 bilhões somente em 2026. Isso ocorre porque quase 71% dos benefícios previdenciários estão vinculados diretamente ao valor do mínimo. Na prática, cada R$ 1 de aumento no piso nacional gera um custo adicional de aproximadamente R$ 380,5 milhões para os cofres públicos, exigindo um equilíbrio delicado do governo para cumprir as metas fiscais vigentes.
Entenda a fórmula por trás do novo valor
O cálculo do reajuste de 6,79% foi estruturado sob as regras da Lei de Valorização Permanente, mas com as travas impostas pelo atual arcabouço fiscal. A conta final considerou:
Inflação: A reposição integral do INPC acumulado até novembro de 2025, que foi de 4,18%.
Crescimento do PIB: O avanço da economia de 2024 (3,4%), que, por força de lei, teve seu repasse limitado a 2,5% para conter a expansão das despesas obrigatórias.
Impacto estrutural na Previdência
O reajuste do mínimo não é apenas uma questão salarial, mas um indexador de quase metade de todos os gastos da Previdência Social. Com 46% das despesas previdenciárias atreladas a esse índice, o governo enfrenta o dilema de garantir a política de valorização real — que recupera o poder de compra perdido em anos anteriores — enquanto maneja as restrições de teto de gastos. O sucesso da medida dependerá da capacidade do mercado de transformar esse volume bilionário de recursos em crescimento econômico sustentável. Com informações da Agência Brasil

