Ciência mineira garante café de excelência e resistente à seca no Vale do Jequitinhonha
Minas Gerais, um gigante na produção cafeeira, encontra na ciência a solução para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Uma nova cultivar, desenvolvida por um extenso programa de melhoramento, acaba de ser registrada pelo Governo do estado e já se destaca nas lavouras pela sua qualidade superior e notável resistência a condições adversas, como a seca.
MGS Epamig Amarelão: a resposta à crise hídrica
Resultado de mais de quatro décadas de pesquisa e do cruzamento entre as variedades Catuaí Amarelo IAC 30 e Híbrido de Timor UFV 445-46, a nova cultivar recebeu o nome de MGS Epamig Amarelão e teve seu registro oficializado em novembro deste ano.
Ela se notabiliza por características cruciais para a sustentabilidade da cafeicultura:
Produtividade elevada;
Tolerância à seca e a altas temperaturas;
Resistência à ferrugem;
Resistência ao nematoide da espécie Meloidogyne exigua.
O desenvolvimento da planta envolveu a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig-MG), a Embrapa Café e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Qualidade premiada e precocidade
A cultivar Amarelão tem gerado resultados impressionantes, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha. Seu café tem sido reconhecido pela alta qualidade final da bebida, que combina notas frutadas, florais e acidez marcante.
Um exemplo de sucesso é a Fazenda Sequoia, em Angelândia, que já conquistou quatro prêmios com o café produzido a partir desta variedade. Segundo Rodrigo Crimaudo Mendes, gerente da propriedade, o sucesso nos concursos serve como uma “chancela de qualidade” para o foco da fazenda em cafés especiais de produção sustentável.
Na Fazenda Sequoia, o plantio começou em 2021 e a área plantada atualmente é de aproximadamente 17 hectares, com planos de expansão para 50 hectares devido à satisfação com os resultados.
O papel do melhoramento participativo
O processo de seleção da MGS Epamig Amarelão demonstrou a importância da colaboração direta com os produtores. Após o início dos estudos nos campos da Epamig e UFV, o desempenho das plantas foi avaliado em unidades de pesquisa em São Sebastião do Paraíso, Machado e Patrocínio.
No entanto, o diferencial ocorreu por volta de 2014, quando um experimento na fazenda de um produtor em Capelinha (Vale do Jequitinhonha) coincidiu com uma seca severa. O pesquisador da Epamig Vinícius Teixeira Andrade relata que as progênies da Amarelão se destacaram por serem menos afetadas pela restrição hídrica, mantendo-se vigorosas e produtivas.
Este desempenho chamou a atenção dos cafeicultores, que auxiliaram na seleção das melhores plantas. O pesquisador Andrade classifica essa atuação como um exemplo de melhoramento participativo, onde os produtores têm um papel decisivo na escolha das progênies que avançam para plantio comercial.
O cafeicultor Sérgio Meirelles Filho, de Aricanduva, que também adotou a cultivar, expressou sua satisfação: “É uma cultivar que vem surpreendendo pela produtividade, qualidade e precocidade”.
Expansão e novas avaliações
Embora se estime que já existam mais de 5 milhões de plantas da cultivar no Vale do Jequitinhonha, a Epamig ressalta a necessidade de expandir as avaliações para outras regiões do estado. O objetivo é dar mais robustez e precisão às recomendações, testando a MGS Epamig Amarelão em diferentes condições de solo, clima, altitude, espaçamento, e em sistemas produtivos de sequeiro e irrigados.
Em ambientes onde já houve quatro colheitas, a produtividade superou 50 sacas. A expansão das avaliações em campo deverá consolidar o potencial dessa nova tecnologia da ciência mineira. Com informações da Agência Minas


