Correios planejam abertura de capital e captam empréstimo de R$ 12 bilhões para sanar contas
Os Correios anunciaram, ontem (29), um ambicioso plano de reestruturação que pode alterar definitivamente a face da estatal. Em busca de soluções para os sucessivos prejuízos acumulados nos últimos anos, a diretoria da companhia estuda a transição de seu regime societário atual, hoje integralmente público, para o modelo de economia mista. A mudança permitiria a entrada de acionistas privados e a abertura de capital, seguindo o exemplo de gigantes como a Petrobras e o Banco do Brasil.
Novas parcerias e modernização do modelo societário
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, esclareceu em coletiva de imprensa que o foco atual não é a privatização total, mas sim a viabilização de parcerias estratégicas que garantam flexibilidade e competitividade frente ao setor de logística privado. Uma consultoria foi contratada para detalhar as melhores formas de sociedade e possíveis novos negócios em áreas como seguridade e serviços financeiros. Segundo a gestão, essa evolução é vital para que a empresa se adapte à realidade tecnológica do mercado global.
Injeção bilionária para garantir operação em 2026
Para dar fôlego imediato ao caixa, os Correios firmaram um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de cinco grandes instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander). O contrato, assinado na última sexta-feira, prevê três anos de carência para o início do pagamento.
A maior parte dos recursos (R$ 10 bilhões) será liberada ainda em 2025, enquanto os R$ 2 bilhões restantes chegam em janeiro de 2026. A verba será utilizada para quitar débitos com fornecedores, assegurar o pagamento de benefícios aos funcionários e manter as obrigações tributárias em dia, visando recuperar a confiança do mercado.
Estratégia de corte de gastos e venda de ativos
O plano de recuperação financeira vai além do crédito bancário e estabelece metas rigorosas até 2028. Entre as principais medidas estão o fechamento de aproximadamente mil agências próprias e a realização de dois Planos de Demissão Voluntária (PDVs), com o objetivo de reduzir o quadro de pessoal em 15 mil funcionários até 2027. A estatal também pretende vender imóveis e implementar cortes que somam R$ 5 bilhões em despesas, buscando equilibrar um patrimônio líquido que hoje é negativo em R$ 10,4 bilhões.
Desafios globais e a crise das correspondências
A crise dos Correios não é um fenômeno isolado. A direção aponta que, desde 2016, a digitalização das comunicações vem dizimando a receita vinda das cartas físicas. Além disso, a forte concorrência no comércio eletrônico impõe novos desafios logísticos. Rondon destacou que o serviço postal dos Estados Unidos (USPS) enfrenta dilemas similares, reportando perdas bilionárias, o que reforça a tese de que apenas a adaptação estrutural poderá garantir a sustentabilidade da estatal brasileira a longo prazo. Com informações da Agência Brasil

