MG inova e lança Protocolo Estadual do Cuidado da Próstata, ampliando o diagnóstico precoce no SUS
O novo documento, apresentado na campanha Novembro Azul, propõe a inclusão inédita da ressonância magnética multiparamétrica antes da biópsia, visando maior precisão e reduzindo a invasividade dos procedimentos para homens com suspeita da doença.
Em um movimento pioneiro para a saúde masculina no país, o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), apresentou nesta terça-feira (18) o novo Protocolo Estadual de Cuidado da Próstata. O anúncio foi feito em Belo Horizonte pelo vice-governador Mateus Simões e reforça o compromisso do estado com a campanha Novembro Azul e o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, lembrado a cada ano em 17 de novembro.
O documento visa orientar a investigação de homens com suspeita da doença na rede pública e será submetido à aprovação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) em sua reunião de dezembro.
Ressonância magnética antes da biópsia
O grande diferencial do protocolo mineiro é a introdução, de forma inédita no Sistema Único de Saúde (SUS) estadual, da ressonância magnética multiparamétrica da próstata como etapa anterior à realização da biópsia.
O vice-governador Mateus Simões destacou que a medida busca contornar o estigma ainda existente em relação ao exame de toque e ultrassom, que compõem o protocolo tradicional em outros estados. “A partir deste ano, em Minas Gerais, o PSA alterado levará à realização de ressonância magnética para identificação de alterações. Nós estamos lançando mais uma alternativa, que detecta nódulos menores, alterações morfológicas menores, e não é invasiva”, afirmou Simões.
O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, reforçou a importância da mudança: “O câncer que mais acomete os homens, tirando o de pele, é o câncer de próstata. […] A ressonância é muito mais apurada, com ela conseguimos ver com mais clareza se a alteração é um câncer ou não”. A inclusão desse exame aumenta a precisão do diagnóstico e, consequentemente, diminui a necessidade de procedimentos invasivos desnecessários.
Aporte financeiro e organização do fluxo
Para garantir o acesso ampliado a este novo padrão de investigação, o Estado propôs um aporte financeiro próprio, correspondente a 53% do valor da tabela do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos e Medicamentos do SUS, condicionado à aprovação na CIB.
O protocolo, desenvolvido em parceria técnica com a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), segue as recomendações do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e organiza o fluxo de atendimento desde a atenção primária (Unidades Básicas de Saúde – UBS) até os serviços especializados. A diretriz não foca no rastreamento populacional geral, mas sim na priorização da investigação de homens que apresentem sintomas ou alterações no exame de PSA (Antígeno Prostático Específico).
Nas UBS, o médico solicita exames iniciais (PSA e toque retal). Havendo suspeita, o paciente é encaminhado para avaliação com urologista ou oncologista, onde são realizados os exames complementares, incluindo a ressonância. Essa organização faz parte do programa Cuidar na Hora Certa – Saúde do Homem.
Rede oncológica e números em Minas
Minas Gerais possui uma robusta rede de atenção oncológica, contando com 41 serviços habilitados em alta complexidade. Entre 2019 e 2023, o estado registrou 36.416 mil casos de câncer de próstata em hospitais de referência, com maior concentração nas macrorregiões Centro, Sudeste, Extremo Sul e Oeste.
A iniciativa de aprimoramento do protocolo é essencial, considerando que o câncer de próstata é o tumor mais comum entre os homens (excluindo o de pele) e a população mineira sem saúde suplementar com potencial para ser investigada pelo SUS chega a aproximadamente 810 mil, na faixa etária entre 50 e 75 anos.
No dia do anúncio, o público pôde participar de atividades de promoção à saúde, orientações e aferição de sinais vitais no Mercado Central de Belo Horizonte, em parceria com diversas instituições. Com informações da Agência Minas


