Crédito mais caro para o cidadão e alívio para empresas marcam o cenário bancário em novembro
O bolso das famílias brasileiras sentiu um peso maior no penúltimo mês do ano. De acordo com os dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (26), houve um encarecimento generalizado nas modalidades de crédito livre para pessoas físicas. Enquanto os juros para o consumidor comum avançaram, o setor empresarial registrou uma leve trajetória de queda nas taxas médias de novas contratações.
Disparada no crédito pessoal e pressão no rotativo
As modalidades mais buscadas pelos brasileiros em momentos de necessidade imediata foram as que apresentaram as maiores altas. O crédito pessoal não consignado deu um salto de 5,5 pontos percentuais, atingindo a marca de 106,6% ao ano. O cartão de crédito parcelado também ficou mais caro, chegando a 181,2%.
Ainda que exista uma limitação legal para os juros do rotativo do cartão de crédito desde o início de 2024, a taxa média nesta categoria continua sendo uma das mais proibitivas do mercado: 440,5% ao ano. Especialistas lembram que o rotativo ocorre quando o cliente não quita o valor total da fatura e, após 30 dias, a dívida é obrigatoriamente migrada para o cartão parcelado, que, apesar de mais baixo que o rotativo, também registrou alta mensal.
Reflexo da Selic e o custo do dinheiro
O movimento de alta nos juros bancários não é isolado. Ele acompanha o ciclo de elevação da taxa Selic, que atualmente está fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Trata-se do maior nível da taxa básica de juros em quase duas décadas, desde julho de 2006. O objetivo do Banco Central com essa política é conter o consumo para frear a inflação, tornando o crédito propositalmente mais caro para desestimular gastos.
Para as empresas, entretanto, o cenário foi oposto no curto prazo. As taxas médias de crédito livre para pessoas jurídicas caíram 0,6 ponto percentual no mês, fechando em 24,5% ao ano. Esse recuo foi puxado principalmente pelas operações de capital de giro de longo prazo e pelo desconto de duplicatas, facilitando ligeiramente o fluxo de caixa corporativo.
Endividamento e comprometimento da renda preocupam
O relatório do Banco Central também trouxe um alerta sobre a saúde financeira das famílias. O endividamento médio chegou a 49,3% da renda acumulada. Na prática, quase metade do que as famílias ganham em um ano já está comprometida com dívidas. Se retirarmos o financiamento imobiliário dessa conta, o índice fica em 30,9%.
Já o comprometimento mensal da renda — o valor que sai mensalmente do bolso para pagar parcelas de empréstimos — subiu para 29,4%. Isso significa que, a cada R$ 100 recebidos, quase R$ 30 já saem carimbados para as instituições financeiras. A inadimplência geral manteve-se em 3,8%, mas o índice é mais crítico entre as pessoas físicas, atingindo 4,7%.
Desaceleração no volume de novos empréstimos
Com o custo do dinheiro mais alto, o ritmo de concessões de novos créditos perdeu fôlego. Em novembro, o volume total de concessões recuou 6,6%. O estoque total de crédito no Sistema Financeiro Nacional, que soma tudo o que os brasileiros e empresas devem aos bancos, alcançou R$ 6,971 trilhões. Embora o estoque continue crescendo em comparação ao ano passado, o ritmo desse crescimento vem desacelerando mês a mês, refletindo a cautela tanto dos bancos em emprestar quanto dos consumidores em se endividar sob as atuais taxas. Com informações da Agência Brasil

